Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 18/09/2020
A Constituição Federal de 1988 garante o direito ao bem-estar para todos os cidadãos. Entretanto, com o surto do coronavírus, esse direito constitucional , muitas vezes, não é cumprido em sua integridade por posturas inadequadas do Poder Público e da população. Assim, é necessário observar as causas que fazem dessa problemática uma realidade.
A princípio, segundo Alexandre Kalache, ex-diretor da Organização Mundial da Saúde, com a quarentena, a população idosa ficou mais exposta à riscos em sua integridade. Nesse contexto, observa-se que, muitas vezes, essas pessoas sofrem violência física e verbal, mas não denunciam seus agressores, pois, frequentemente, são parentes. Como consequência disso, a população com mais de 60 anos se sente insegura, podendo desenvolver problemas psicológicos como a ansiedade.
Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a depressão atinge mais de 15% dos idosos. Esse cenário tende a se agravar, visto que o preconceito contra esse grupo aumentou, pois, com a pandemia, a população mais jovem, muitas vezes, observa o público mais velho como incapaz e o infantiliza. Consequentemente, o direito à autonomia desses cidadãos é colocado em risco, agravando os dados sobre depressão no Brasil.
Em suma, o isolamento social de idosos durante a pandemia é marcado por fragilidades. Sendo assim, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos, arrojar o plano nacional de bem-estar durante a velhice, de modo a instituir o monitoramento desse público, como o acompanhamento de psicólogos, por meio de ligações, com o objetivo de garantir a integridade da comunidade idosa. Ademais, deve estimular o contato familiar à distância, por meio de propagandas em meios de comunicação a fim de promover estabilidade no convívio social dos mais velhos. Talvez, dessa forma, seja possível garantir o funcionamento íntegro do direito ao bem-estar dos idosos.