Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 10/08/2020

A pandemia do novo coronavírus é um fato que mudou drasticamente a realidade de todo o mundo, afetando principalmente a esfera social. Tendo em vista a necessária campanha do isolamento em massa para conter o avanço da doença, vieram à tona algumas consequências negativas de tal processo, entre elas, pode-se elencar a fragilização do bem-estar psíquico da população. Logo, a suscetibilidade que muitas pessoas têm de comprometer a integridade mental, nesses momentos, é algo inquestionável, porém, essa nefasta probabilidade é ainda maior quando se considera o contingente de idosos. Estes, como impacto do isolamento, são mais propensos a sofrerem com a elevação do nível de estresse e com o desenvolvimento de disfunções psicológicas.

Sobre o primeiro aspecto, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou, em um estudo concernente à interferência do isolamento na vida cotidiana, que o estresse é um dos elementos de maior prevalência nessa fase. Conforme a pesquisa, há diversas causas para a sua manifestação, sobretudo a preocupação excessiva e o ócio. Dessa maneira, conclui-se que os idosos podem ser os mais afetados pelo estresse; primeiramente, pela constante apreensão de participarem do grupo de risco, o que os torna a principal estatística de vítimas fatais e também pela falta de produtividade que está atrelada à rotina de muitos idosos, sendo acarretada pela ausência de atividades físicas e de alternativas para o entretenimento.

Além disso, o isolamento é um caminho para o surgimento de transtornos psicológicos, como depressão, crise de ansiedade ou síndrome do pânico. Da mesma forma que o estresse, esses males têm frequência maior no grupo de idosos e também são desencadeados pela preocupação demasiada e pela monotonia. Entretanto, essas doenças podem se originar de outras maneiras dentro desse contexto, visto que o afastamento de familiares e pessoas próximas é capaz de despertar sentimentos de melancolia e impotência, o que abre espaço para a evolução das referidas perturbações mentais.

Diante do exposto, é necessário promover uma metodologia de acompanhamento dos casos que requeiram atenção da saúde pública. Sob esse viés, o Poder Executivo Estadual, em parceria com as Secretarias de Saúde, deve contactar os cidadãos do respectivo ente federado, utilizando diversos meios de comunicação para efetuar o contato, a fim de conhecer com mais profundidade o estado de saúde desses indivíduos. Quando for verificada a presença ou a predisposição de algum distúrbio ou transtorno, especialmente em famílias com moradores mais velhos, profissionais do ramo psíquico serão encaminhados a esses endereços para realizarem o atendimento demandado. Ficar cada vez mais perto da população é fundamental para dar solução aos seus problemas.