Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 10/08/2020
Segundo o filósofo prussiano Kant, o ser existe com um fim em si mesmo. No entanto, com o advento capitalista, os indivíduos passaram a ser um meio para a obtenção de lucro, sendo a classe mais velha repudiada por não pertencer à população economicamente ativa. Atualmente, com a eclosão de uma pandemia, os idosos são ainda mais isolados, tornando-se necessário discutir os impactos da quarentena na saúde mental dessa faixa etária. Logo, vale destacar esses efeitos psicológicos, como sentimentos de frustração e solidão.
A princípio, é importante ressaltar a desilusão constante dos idosos como resultado da quarentena. Na obra ‘‘Sociedade do Cansaço’’, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han evidencia a necessidade da sociedade moderna em ser produtiva continuamente, e, como consequência, não saber lidar com a frustração. Nesse sentido, os mais velhos, grupo de risco nessa pandemia, são totalmente afastados dos meios sociais e deixam de praticar suas atividades, de modo a ampliar o sentimento de impotência dessa faixa etária. Dessa forma, a exclusão social aumenta o sentimento de debilidade imposto pelo capitalismo.
Outrossim, o descaso da instituição familiar com o idoso durante a quarentena prejudica também sua saúde mental, por meio do aumento da sensação de solidão. Na obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, o português José Saramago ressalva: ‘‘Penso que cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem’’. Sob tal perspectiva, os familiares do mais velho não buscam meios de comunicação para manter o contato, negligenciam sua presença, de maneira a contribuir na expansão do seu isolamento. Desse modo, enquanto os parentes forem cegos, a classe idosa sofrerá ainda mais com tal reclusão humana.
Portanto, discutidos os resultados do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a pandemia, cabe agora ao Estado e seus órgãos mitigar esse problema. Por isso, urge à Assistência Social, junto ao Ministério da Família, a obrigação de criar medidas para combater os sentimentos ruins dos idosos durante o afastamento humano, por meio de atividades coletivas virtuais com essa classe e campanhas de incentivo ao amor parental - através da exaltação da importância dos idosos para a instituição familiar -, a fim de abrandar as consequências psicológicas do isolamento social. Por resultado, a classe idosa conquistará uma estabilidade emocional nesse período e acabará com a intolerância etária pregada pelo capitalismo.