Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 10/08/2020

A Constituição brasileira menciona, no artigo sexto, que a saúde é um direito universal. Percebe-se, contudo, que nem sempre existe a plena concretização dessa garantia, principalmente no que concerne à saúde mental dos idosos durante o período de isolamento social causado pelo coronavírus. Nesse contexto, a questão se agrava não só pela falta de apoio familiar, mas também pela inércia estatal em criar políticas públicas.

Em primeira análise, ressalta-se que muitos idosos moram sozinhos e não têm contato diário com a família. Nesse sentido, segundo reportagem do portal G1, quase metade desse público afirma se sentir desamparado nesse período de distanciamento, o que corrobora o aumento da depressão e da ansiedade, além de evidenciar a negligência de diversas famílias. Sob esse prisma, é inaceitável não tomar providências, como a veiculação na mídia de dados da saúde mental de idosos em épocas de isolamento, para instruir os entes sobre a importância do cuidado.

Ademais, enfrenta-se, por vezes, a letargia do Estado na criação de políticas assistenciais. Nesse cenário, o filósofo Thomas Hobbes afirmava que é dever do Estado garantir a saúde da população, e isso, hodiernamente, deve se refletir em programas de atenção psicossocial ao idoso durante a pandemia, a serem praticados de forma virtual, como a transmissão em televisão aberta de programas com dicas de terapias ocupacionais, a fim de intensificar atividades prazerosas e evitar o estresse. Sob essa ótica, a falta de investimentos na área vai de encontro à proposta de Hobbes, uma vez que demonstra a displicência governamental em lidar com as questões de saúde pública.

Infere-se, portanto, que é necessário evitar os impactos negativos do isolamento social na vida dos idosos. Nessa conjuntura, cabe ao governo federal orientar os idosos e suas famílias sobre como conservar a saúde mental, por meio de programas televisivos informativos e recreativos, com o auxílio de governantes locais. Espera-se, com isso, reduzir os impactos do isolamento e efetivar o direito à saúde previsto na Carta Magna.