Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 10/08/2020

O escritor Andrew Solomon, em sua célebre obra “O demônio do meio-dia”, relata sua experiência com a depressão, adjetivando esta como um verdadeiro “demônio”. Analogamente, observa-se uma relação entre a experiência do autor e a vida de muitos idosos no atual cenário pandêmico da Covid-19, uma vez que o isolamento social - medida de segurança tomada durante o período de quarentena - promove impactos na saúde mental desse público, causados principalmente pela falta de contato físico e social e pela preocupação frente a esse cenário. Consequentemente, distúrbios são desenvolvidos como a depressão e a ansiedade.

Mormente, ao analisar o bem-estar psíquico dos idosos no prisma atual, observa-se fenômenos como a ausência de socialização. Nesse viés, o filósofo clássico Aristóteles defende a tese de que o ser humano é um animal social. Sob essa linha de pensamento, nota-se a imprescindibilidade das relações sociais, sendo estas reduzidas durante o período de isolamento, uma vez que os cidadãos são obrigados a ficarem em suas residências para prevenirem a disseminação do vírus. Ademais, o analfabetismo tecnológico, vivenciado majoritariamente pelos idosos, dificulta esse público de se relacionar virtualmente com outras pessoas, intensificando, assim, a falta de socialização. Desse modo, cabe às famílias e à mídia intervirem para reverter esse quadro.

Adicionalmente, as preocupantes incertezas que o grupo mais velho enfrenta agravam essa problemática. Isso se deve pois tal comunidade configura, segundo a Organização Mundial da Saúde, um grupo de risco. Sendo assim, os idosos tomados pela vulnerabilidade frente à Covid-19 tornam-se inseguros e ansiosos, uma vez que podem ser infectados e levados a óbito. Por conseguinte, tais incertezas podem acarretar problemas como a depressão ou até mesmo o suicídio, relacionando-se com a realidade vivenciada pelo escritor Andrew Solomon. Em suma, é inquestionável a tamanha gravidade que o isolamento social ocasiona nos indivíduos da terceira idade.

Não resta dúvidas, portanto, sobre os horrendos impactos causados nos idosos durante a quarentena. Urge, então, que a mídia crie uma rede social - voltada especificamente  para o público mais velho - de modo que a linguagem e as ferramentas sejam simplificadas, com o fito de facilitar o acesso dessa comunidade. Complementarmente, as famílias devem ensinar os parentes idosos a utilizarem tais aplicativos, por meio de instruções, com o objetivo de fomentar o contado virtual entre a terceira idade. Somente dessa forma, os “demônios” da depressão causados pelo confinamento social serão efetivamente combatidos, haja vista uma maior sanidade mental dos idosos na quarentena.