Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 11/08/2020
No filme Up Altas Aventuras, o idoso Carl Fredricksen, após a morte da sua esposa, acaba se isolando totalmente na sua casa, o que o torna uma pessoa triste, frustrada e fria. Fora das telas e em um contexto de pandemia do coronavirus, o isolamento social também faz-se presente no cotidiano das pessoas principalmente da parcela de idade mais avançada, o que traz impactos diretos na saúde mental desta.
Em primeiro lugar, o contato social tem grande relevância no bem estar do indivíduo. Sendo o homem um animal social, segundo Aristóteles, é necessário o contato com o outro para viver bem, para garantir uma boa saúde psíquica e física. Em contrapartida, o afastamento devido a quarentena e ainda a participação no grupo de risco afeta o convívio dos idosos com seus amigos e até com seus familiares. O que gera sentimento de solidão, insegurança e angústia tornando-os vulneráveis emocionalmente, o que possibilita o aumento preocupante de casos de ansiedade e depressão.
Ademais, a tecnologia tem sido uma forte aliada no alívio desses sentimentos. Com a pandemia, o formato dos shows, aulas, atendimentos médicos, dentre outras atividades, teve que ser alterado e com a ajuda da internet ressurgiram as “lives” de músicas, cursos de pintura, de artes e de outras línguas, além de exercícios físicos e yoga “onlines”, importantes passatempos em período de isolamento. No entanto, muitos idosos não desfrutam desses passatempos por conta da dificuldade no manuseio dessas tecnologias, precisando de auxílio de outras pessoas para acessá-las. O que dificulta a prática de atividades prazerosas, a diminuição do estresse, uma rotina saudável e uma melhor qualidade de vida.
Em vista dos argumentos apresentados, faz-se necessário meios que diminuam os impactos na saúde mental dos idosos no período de isolamento. Cabe à mídia, especificamente a televisão, juntamente com educadores físicos e artistas a promoção de aulas de dança, meditação, pintura, rodas de conversa com psicólogos, além de novas atividades importantes para a saúde por meio de quadros nos programas diurnos. A fim de que as pessoas mais velhas possam distrair-se das preocupações e sintam-se confortáveis. Além do mais, cabe à família o ensino do uso das tecnologias e da internet, o acesso à filmes e séries para que a terceira idade sinta-se mais independente, segura e possa usufruir dos benefícios do meio digital.