Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 19/08/2020

A Organização Mundial de Saúde afirma que para ser considerado plenamente saudável, o indivíduo precisa apresentar, além de boa condição física, saúde mental de qualidade. Entretanto, com a idade avançada, muitos idosos desenvolvem transtornos mentais e doenças neurológicas. Sabe-se, ainda, que a necessidade de isolamento devido à pandemia faz com que os sintomas psicológicos sejam agravados, uma vez que ficam confinados em casa e precisam se adaptar a uma nova rotina de cuidados para prevenir a infecção. Nesse sentido, convém analisar as principais causas da acentuação do quadro mental e suas consequências.

Em primeira análise, é importante destacar que todos têm a saúde afetada, porém, os que sofrem com enfermidades dessa categoria precisam de atenção redobrada. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida no Brasil é de 75 anos, assim, é possível afirmar que grande parcela dos idosos é dependente de familiares para realizar as tarefas diárias e preferem estar na companhia da família. Com o surgimento do Coronavírus, a quarentena obrigou que o número de pessoas próximas a esse grupo fosse reduzida, haja vista que a idade aumenta as chances de complicações em casos de contaminação. No entanto, a faixa etária não é o único fator determinante, pois as doenças mentais dificultam a adaptação às mudanças causadas pelas medidas de prevenção, como o distanciamento dos familiares. Dessa forma, é imprescindível que essas pessoas recebam cuidados especiais no cenário pandêmico.

De outra parte, vale ressaltar que os cuidados devem ser expandidos para todos os membros da família. Conforme Émile Durkheim, a sociedade é um organismo vivo em que todos integrantes contribuem para o funcionamento do todo; logo, se um vai mal, o todo entra em colapso. Assim, com base na lógica do sociólogo, os demais precisam permanecer saudáveis, dado que, ainda segundo o IBGE, 75% dos idosos necessitam do Sistema Único de Saúde. Com efeito, se houver a saturação das unidades de atendimento, caso precisem de ajuda psicológica ou psiquiátrica, os que utilizam a rede pública poderão ficar sem assistência. Desse modo, é de suma importância que o isolamento não se restrinja a esse grupo de risco.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que a comunidade idosa brasileira seja, de fato, saudável, como diz a OMS. Para isso, o Ministério da Saúde deve, por meio de soluções cabíveis,  ampliar o amparo a essa população, como instruir que agentes de saúde, aumente a frequência de visita às residências, a fim de que mantenham-se atualizados e preparados para mediar o auxílio entre estes e os profissionais especializados. Ademais, é essencial que os parentes também recebam instruções, de modo que possam auxilia melhor o idosodurante esse período. Com essas ações, espera-se a atenuação dos impasses citados.