Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 11/08/2020
Em 1918, o mundo vivenciou a pandemia de gripe espanhola que resultou na morte de aproximadamente 50 milhões de pessoas. Segundo o ganhador do prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela, deve-se promover acordo e esperança onde existe conflito e medo. Para tal, o Estatuto do Idoso, assim como o Artigo 196 da Constituição Federal, estabelece como direito do idoso o acesso à saúde de qualidade. Contudo, hoje, o mundo - assim como em 1918 com a gripe espanhola - enfrenta a pandemia de Sars-CoV-2 (Coronavírus), que resultou no necessário isolamento social e, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o momento matou aproximadamente 20 milhões de pessoas no mundo, além de aumentar os casos de depressão e ansiedade, sendo, em sua maioria, idosos. Dessa forma, é perceptível que, apesar de necessário, o isolamento social também contribui para o declínio da saúde mental dos idosos, promovendo o medo e o conflito.
Primeiramente, é notável o necessário isolamento social como agente constitutivo para restauração da segurança da saúde. Isso, visto que a curva epidemiológica - responsável por representar a capacidade de atendimento do país em relação ao número de necessitados - apresenta valores que não permitem o atendimento da população. Desse modo, os idosos, como principal grupo de risco e com, no geral, baixo conhecimento tecnológico, são as principais vítimas do isolamento físico e mental, tendo em vista que não há possibilidade de atendimento e, tampouco, de contato social com familiares.
Paralelamente, observa-se o desinteresse Estatal na promoção da saúde física e mental do idoso. Isso, uma vez que o Brasil, que de acordo com dados da OMS, é o país com segundo maior número de infectados pelo Coronavírus. Assim, o isolamento social que atua com promoção de baixos subsídios e de políticas inefetivas da informação, tem papel fundamental como catalisador do aumento de distúrbios mentais, já que, de acordo com dados da OMS, o Brasil, é o país com maior número de ansiosos do mundo, assim como quinto colocado no número de depressivos.
Portanto, é visível que, mesmo necessário, o isolamento social pode atuar como fator contribuinte de psicopatologias, já muito presentes no cotidiano brasileiro, nos idosos contribuindo para o declínio da saúde. Destarte, é essencial que o Ministério da Saúde - órgão responsável pela gestão da verba direcionada aos assuntos voltados à saúde, em união com o Sistema Único de Saúde, atue na garantia da saúde física e mental dos idosos, por meio da integração de políticas públicas de conscientização, subsídios e isenções fiscais às empresas privadas que realizarem programas populares, para que haja cumprimento do isolamento social e preservação da saúde do idoso, não apenas física, mas, também, mental, a fim sejam promovidos o acordo e a esperança ditos por Nelson Mandela.