Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 12/08/2020
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil conta com aproximadamente 18,6 milhões de pessoas que sofrem com transtornos de ansiedade. Isso corresponde a 9,3% da população do país e engloba todas as faixas etárias e grupos sociais. No entanto, a população que mais sofre com esse problema é a idosa, haja vista que a maioria passa a maior parte do tempo em períodos de ociosidade, seja em casa, seja em abrigos. Consequentemente, a situação tende a se tornar mais grave em épocas de pandemia, pois exige, sobre tudo, um intenso confinamento social. Com isso, muitos impactos na saúde mental são gerados, porém o desenvolvimento de quadros depressivos e a disseminação de notícias sem qualquer meio de controle são os principais fatores que impulsionam o agravamento ou, até mesmo, o surgimento de problemas mentais em idosos.
Em primeira análise, é válido ressaltar que o ser humano, em termos biológicos, tem a necessidade do contato e do convívio social. Desde que o homem pré-histórico passou a viver em sociedade, sua expectativa e qualidade de vida aumentaram. No entanto, em épocas de crises sanitárias, o isolamento social é uma medida mais que necessária para evitar a proliferação de organismos infecciosos como vírus, fungos e bactérias. Contudo, os problemas causados pelo isolamento social se apresentam de diferentes formas nas parcelas etárias da sociedade. Nos idosos, por exemplo, é comum o aparecimento de transtornos de ansiedade e, principalmente, o desenvolvimento de quadros depressivos. Esses problemas são oriundos da falta de contato com parentes próximos que, na maioria das vezes, ocupam a maior parte do tempo dos idosos, deixando-os ociosos quando estão ausentes.
Além do mais, a disseminação desenfreada de informações no que diz respeito às causas do isolamento é outra percursora para o agravamento do problema. Como as notícias são transmitidas de forma clara e, muitas vezes, com caráter sensacionalista, tendem a deixar a população mais vulnerável impactada com a realidade dos fatos, suas causas e seus efeitos devastadores. Isso tende a originar no público idoso um sentimento de impotência e extrema vulnerabilidade, deixando-os incapacitados para reagirem diante das informações lançadas todos os dias nos noticiários de rádio e televisão.
Em síntese, algumas atitudes e medidas adotadas para a população idosa, no tocante a sua saúde mental, são de extrema importância. A priori, a família, através de parentes mais próximos, deve organizar uma rotina lúdica que envolva o idoso, como jogos, leituras, confecção de artesanatos, seções de filmes, entre outros, com o objetivo de entretê-los e tornas os dias mais produtivos e menos ociosos. Voltar a atenção do idoso para atividades prazerosas, possibilita que ele não se atente somente aos efeitos devastadores de uma pandemia, mas também ao seu desenvolvimento pessoal.