Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 17/08/2020
No livro “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, Botelho é um homem idoso que, após o “auge” de sua vida durante a Guerra do Paraguai, vive à procura de conversas e fenômenos que remontem ao seu passado na cidade de Rio de Janeiro, buscando se inserir na sociedade e se sentir melhor mentalmente. Fora do mundo literário, infelizmente, o caso de Botelho se apresenta na vida de muitos idosos brasileiros que, em meio ao isolamento social propiciado pela pandemia do COVID-19, tiveram seu vazio social aumentado, fator que proporciona problemas à saúde mental dessa população. Tais problemas estão estritamente ligados não só ao bloqueio da socialização vindo com a pandemia, como também ao medo constante dessa parcela da população em se tornar um fardo para suas famílias.
A priori, segundo o artigo científico “A Importância da Socialização na Terceira Idade”, quando um indivíduo chega à faixa etária avançada e adquire sua aposentadoria, perde parte importante de sua vida: o exercício de seu ofício. Sob essa óptica, como comentado no artigo, muitos idosos passam a sentir um grande vazio social e, para preenchê-lo, procuram a socialização com outros indivíduos – principalmente da mesma faixa etária. No entanto, com a obrigatoriedade do isolamento durante a pandemia, a socialização é restrita e os idosos ficam mais propensos a ansiedade e depressão, como divulgado pela geriatra Maisa Kairalla na revista VEJA. Nesse sentido, para melhorar a saúde mental dos idosos durante a pandemia, a interação social segura entre eles deve ser incentivada.
Além disso, vale ressaltar que o perigo constante que sofre a população idosa em meio a pandemia - por ser mais frágil aos efeitos do coronavírus, como relatado em pesquisas da Organização Mundial da Saúde –, faz com que esta fique assustada. Acerca dessa perspectiva, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz, muitos idosos estão receosos em contrair a doença e necessitarem de gastos excessivos e atenção redobrada de seus parentes. Dessa forma, como dito pela própria Fiocruz, esses indivíduos estão mais propensos ao stress e ao medo excessivo de se tornarem um fardo a suas famílias, fatores que promovem a depressão e o aumento em 300% no índice de suicídio entre idosos.
Com base nos fatos discorridos, percebe-se que a socialização à distância entre idosos é ideal para melhorar a saúde mental desses indivíduos em meio a pandemia. Para tanto, a Agência Nacional de Telecomunicações deve instruir e instigar os idosos a utilizarem aparelhos de comunicação à distância, por meio de propagandas que passarão nas emissoras mais renomadas da TV aberta. Tais propagandas devem dar instruções sobre como realizar ligações ou chamadas de vídeo pelo celular ou computador, assim como mostrarem a importância da socialização e do diálogo em momentos de depressão. Com isso, mesmo na pandemia, a saúde mental da terceira idade será preservada.