Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 17/08/2020
No início do século XXI, mais especificamente em seu primeiro quinto, o mundo conheceu cepas virais com alto poder de transmissão e mortalidade. Nesse sentido, estudiosos da saúde, ao se depararem com o novo SARS-CoV-2, tiveram que, após a agressividade viral ser confirmada, propor a quarentena como forma de contenção sanitária, sobretudo, para população idosa biologicamente mais vulnerável. No Brasil, entretanto, a falta de acesso à Internet e o desbalanceamento nutricional têm gerado impactos na saúde mental dos idosos brasileiros em isolamento social. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar os danos mentais causados pela quarentena.
Inicialmente, é importante verificar o principal impacto da falta de acesso à Internet durante a pandemia. Nesse contexto, segundo o site de notícias UOL, 20% das residências brasileiras não possuem acesso à Internet. À vista disso, diante do quadro pandêmico e do contato restrito ao meio digital, os idosos mais humildes que não possuem a tecnologia, acabam por ficar isolados socialmente e, com isso, podem desenvolver transtornos mentais oriundos da ausência total de contato com outros indivíduos. Desse modo, é lamentável como, no Brasil, muitos idosos são privados de contato social, durante a pandemia, por não terem acesso a uma das principais tecnologias do século XXI.
Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito do desbalanceamento nutricional na saúde mental do idoso. Nesse contexto, o consumo de tirosina e triptofano, em uma dieta balanceada, é essencial para a manutenção dos níveis normais de neurotransmissores - Dopamina e Serotonina - responsáveis pelo bem-estar mental do idoso. Sob essa perspectiva, durante os meses de isolamento, as mudanças alimentares, muitas vezes impostas pela impossibilidade de frequentar mercados, acarretam ingestão de baixos valores de nutrientes precursores de uma boa saúde mental. Dessa forma, é absurdo como a população idosa é exposta a problemas de saúde mental por não terem acesso à alimentação adequada durante os meses de quarentena.
Nota-se, portanto, o quão danosa a falta de acesso à Internet e o desbalanceamento nutricional são para saúde mental do idoso durante a pandemia. Assim, cabe ao Governo Federal cuidar da sua população de idade avançada. Isso pode ser feito por meio da ampliação do acesso à Internet, ao propor redução de impostos às empresas fornecedoras da tecnologia que disponibilizarem planos gratuitos aos idosos, e da entrega de alimentos de importante valor nutricional, ao criar programas que custeiem o transporte dos mantimentos essenciais para as residências dos idosos em quarentena. Espera-se, dessa maneira, que o isolamento social imposto pela presença do SARS-CoV-2 seja menos impactante na saúde mental da população de idade avançada brasileira.