Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 19/08/2020
De acordo com Constituição Federal de 1988, a saúde é um suposto direito de todos e é dever do Estado assegurá-la. No entanto, a fragilização da saúde mental dos idosos no período de isolamento social, requerido na pandemia de COVID-19, sucumbiu a efetividade da garantia legal. Nesse contexto, infere-se que o afastamento dos indivíduos da terceira idade do contato com seus amigos e familiares configura-se como um agravante do quadro de integridade mental dos cidadãos, bem como da sua qualidade de vida. Outrossim, denota-se que a ânsia por um futuro imprevisível colabora para a fragilização do direito fundamental da saúde.
Inicialmente, no filme “UP: altas aventuras”, um jovem precisa acompanhar um idoso para concretizar sua missão de escoteiro. Nesse ínterim, o menino encontra um indivíduo de terceira idade ranzinza ,devido a sua vida solitária, que tem sua qualidade de vida retificada com a presença dele. Atualmente, o afastamento dos idosos, durante a quarentena, do contato com seus amigos e familiares configurou-se como um agravante do quadro de integridade mental dos cidadãos, uma vez que,segundo o filósofo Émile Durkheim, a socialização é inerente ao ser humano.A partir desse raciocínio, o isolamento social prejudicou a qualidade de vida tanto dos cidadãos brasileiros quanto do personagem central do filme, tendo em vista o aumento de ansiedade e de estresse nessa circunstância. Prova disso foi o aumento em 80% dos casos de ansiedade na epidemia de COVID-19, registrado pela Uerj, evidenciado a necessidade da busca do Estado por alternativas remotas que visem recuperar o diálogo entre os anciões e seus familiares.
Ademais, é válido ressaltar que o cenário de incertezas, criado com a pandemia de COVID-19, tem colaborado com a fragilização da saúde mental dos indivíduos. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a instabilidade nas relações humanas é capaz de fragilizar a psiquê do indivíduo, ou seja, na situação atual, o medo dos impactos do coronavírus tanto em escala individual, quanto nacional e global tem prejudicado o público idoso, o qual teme por sua saúde vulnerável e pelos membros de sua família.
Por fim, para que a socialização seja restituída, o Ministério da Cidadania, em parceria com empresas privadas de chamada de vídeo online, deve elaborar uma cartilha, voltado para o público idoso, acerca de como usar aplicativos para falar com amigos e familiares e mandar para residências com pessoas de mais de 60 anos, visando a recuperação o contato social. Ademais, o Ministério da Educação deve propor consultas periódicas e gratuitas, por meio doas aplicativos de ligação de vídeo, entre anciões e acadêmico de psicologia voluntários, a fim de retificar as ânsias com o futuro.