Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 25/08/2020

A determinação do isolamento social como medida preventiva do novo coronavírus trouxe impactos sociais, econômicos e, principalmente, mentais. Com a permanência de cada pessoa dentro da sua casa, isso fez com que famílias estejam sem ter contato há mais de 5 meses, contexto que reflete muito bem o enredo do livro “Dias de abandono”. Todavia, esse abandono, diferente da narrativa de uma mulher pós-divórcio, as vítimas agora são os idosos, os quais estão sendo prejudicados a cada dia, mas uma ferida que não se cura facilmente. Por razões de intenso sentimento de solidão e a incerteza, juntamente do medo, acerca da doença, os impactos da quarentena na saúde mental dos idosos estão se agravando, por isso, necessitam ser discutidos.

Como supracitado, o afastamento do mundo está trazendo riscos irreversíveis ao bem-estar dos mais velhos. Conforme a PNAD, quase 25 milhões de pessoas acima de 60 anos moravam sozinhas em 2012, ou seja, cidadãos que tinham sua vida independente, inclusive nos cuidados dentro de casa. Entretanto, essa independência transformou-se em 17% dessa parcela social com indícios de depressão e suicídio, segundo a cientista Dália Romero. Dessa forma, é incontestável a maneira como o distanciamento está impactando esses indivíduos que – em muitos casos- não trabalham mais e não podem receber uma visita de filhos, amigos ou netos, assim, o que resta é ficar em casa para proteger a saúde física, mas gerando a morte interna aos poucos.

Outrossim, é inquestionável como a indefinição do futuro nesse período também aflige os idosos. De acordo com o UOL, na quarentena, o brasileiro passou a consumir os programas televisivos durante um terço do dia, o que justifica o desespero gerado na população mais velha, uma vez que o consumo de notícias tóxicas e alarmantes apenas intensificam o medo. Além disso, conforme a CBN-SP, a insegurança sobre a saúde física sua e dos mais próximos, juntamente da falta de atividades esportivas, está gerando doenças como paralisia facial ou corporal. Com isso, o consumo de informação, que deveria gerar a precaução, consome mais da pouca sanidade mental.

Nesse contexto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. No entanto, só haverá melhoras caso o Ministério da Saúde proporcionar atendimentos psicológicos presenciais, por meio de profissionais testados antes do contato, para que, assim, os idosos tenham com quem conversar e melhorar os sentimentos de tristeza. Ademais, as mídias digitais, em questão a televisão, deve colocar como maior parte da sua programação conteúdos que gerem entretenimento, mediante a filmes de comédia ou programas de interesse dessa faixa etária. Somente assim os riscos gerados durante o isolamento social poderão ser reduzidos e, quem sabe, os fazendo conquistar a total independência.