Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 25/08/2020

De acordo com o poeta brasileiro Mário de Andrade “ A arte de viver é simplesmente a arte de conviver”. Esse pensamento torna-se distante em relação ao cenário atual com os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena, pois fez com que as famílias se isolassem para conter a pandemia e, por conseguinte o emocional e o psicológico das pessoas se desestabilizaram demais, principalmente para os idosos. De certo, a terceira idade é um período de grandes transformações. Isso inclui uma série de mudanças físicas, aposentadoria, doenças, perda ou afastamento de pessoas queridas, além de uma redução da independência e autonomia de modo geral.

Em vista disso, a cientista da Fiocruz ( Fundação Oswaldo Cruz) Dália Roméro, fez uma pesquisa, em relação à quarentena, em pessoas na terceira idade com mais de 60 anos, são mais propensas à ansiedade, depressão e até mesmo a não quererem mais viver, pois aumenta o risco de morte em 14% ou seja: ao mesmo tempo em que o isolamento protege o idoso do Covid-19, ele pode estar contribuindo para reduzir sua resposta imunológica ao colocá-lo sob uma condição estressante. Contudo, a incerteza do futuro, o “deixar de fazer” as atividades diárias que faziam ao saírem de casa, como: irem ao mercado, padaria, à farmácia ou serem visitados por amigos e familiares, desestabilizou o emocional dos idosos gradativamente com pensamentos de solidão, vulnerabilidade por estarem na faixa etária mais afetada pelo Covid-19.

Além desse viés, é válido salientar uma pesquisa liderada pela OMS ( Organização Mundial da Saúde) em que o idoso tem medo do coronavírus por si e por seus entes queridos. Seu sono se altera e seu apetite também é impactado, um cenário propício para agravar problemas crônicos de saúde como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Naturalmente, isso piora quando é lembrado que, por anos, esse grupo foi estimulado a sair, passear, frequentar reuniões, viagens para terceira idade e tudo  isso foi proibido e acabou de um dia para o outro.

Mediante o exposto, torna-se evidente que o Ministério da Saúde deve aumentar o apoio e atendimento à sanidade da terceira idade, por meio de campanhas televisivas mostrando que os familiares e amigos de idosos estejam atentos a qualquer sinal  de tristeza aguda e até perda de apetite, por exemplo. Igualmente ao SUS ( Sistema Único de Saúde) de cada município, por meio de monitoramento via telefone fixo ou celular, com base nos bancos de dados, a fazerem um pequeno questionário ao idoso e familiares para saberem como ele está, sua saúde, seu dia a dia e com isso poder ajudar no que for preciso, concretizando a frase de Mário de Andrade em que o “conviver” é possível no isolamento, mesmo se for por meio de um simples telefonema.