Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 18/08/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura a todos os indivíduos o direito à saúde e bem-estar social. Entretanto, os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena impede que essa parcela da sociedade usufrua desse direito internacional na prática. Com efeito, evidencia-se a elevação dos índices de depressão e ansiedade e a sensação de abandono familiar.

Em princípio, a saúde é uma das necessidades básicas do cidadão que o governo tem o dever de fornecer. Hodiernamente, o Brasil possuí o Sistema Único de Saúde (SUS), no qual toda à população deve ter o acesso. Contudo, a realidade é o oposto e o resultado desse contraste é definido pelas doenças psicologicas aumentando no período de quarentena. Segundo a pesquisa do Instituto de Psicologica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os índices de depressão e ansiedade aumentaram cerca de 80% em idosos, durante o período de isolamento social devido a pandemia do COVID-19. Esta alta porcentagem tem como principal fator o emocional abalado dos idosos, motivado por se sentirem sozinhos e “presos”, sem saber a data que poderão retornar as atividades.

Faz-se mister, ainda, salientar á sensação de abandono familiar como impulsionador dos impactos psicologicos nos idosos em isolamento social. De acordo com Zymunt Bauman, sociologo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a caraterística da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, segundo a OMS, idosos percentem ao grupo de risco e devem redobrar os cuidados de prevenção contra a doença, entre esses cuidados, o isolamento social é necessário. Por conta disso, não é possível ver familiares presencialmente, o que aumenta a sensação de abandono e solidão, o que agrava mais ainda o emocional, já abalado por se sentirem confinados.

Infere-se portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem á construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério das Telecomunicações devem entrar em contato por meio digital ou telefônico com todos os idosos, para saber se eles estão bem, como estão se sentindo e oferecer suporte psicologico com profissionais aptos para isso. Não apenas isso, mas também conscientizar à família, por meio de anúncios e comerciais na televisão, com o intuito de incentivar o contato famíliar por meio de telefônemas, vídeos chamadas em redes sociais, para tranquilizar e não se sentirem abandonados. Dessa forma, os idosos poderiam superar os impactos dos isolamento social na saúde mental na quarentena.