Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 21/08/2020
Com a disseminação mundial do Coronavírus, a sociedade transformou repentinamente seus hábitos, o que possibilitou impactos diretos nas relações sociais, sobretudo, dos idosos. Dessa forma, o descaso no Brasil com a terceira idade é anterior ao isolamento, e hodiernamente está agravada, assim prevalece a vulnerabilidade de doenças mentais. Nessa perspectiva, com a estigmatização da velhice pela sociedade sobre a normalidade de possuir sintomas de tristeza e solidão, o diagnóstico torna-se dificultado, bem como há o despreparo familiar em ajudá-los a enfrentarem a ansiedade e o medo diante dos riscos oferecidos pelo vírus. Logo, tal panorama deve ser mais discutido com a população, a fim de oferecer a visibilidade merecida.
Observa-se, em primeira instância, que a idade avançada é compreendida no Brasil com estereótipos pessimistas, por esse motivo os sintomas depressivos tornam-se não aparentes e negligenciados. Conforme diretrizes do Estatuto do Idoso, essa faixa etária possui o direito à preservação da saúde física e mental, somada ao aperfeiçoamento espiritual e social. Porém, com a visão em sua maioria de insignificância, devido a ideia de prejuízos e não retornos econômicos, ocorre a não valorização dos cuidados necessários, consequentemente, idosos ficam à margem da sociedade. Diante disso, a velhice permanece sobrecarregada por problemas psicológicos que não são perceptíveis no país - condição que contradiz a esfera legislativa.
Em segunda análise, é indubitável que aliada às consequências da pandemia há a insipiência dos familiares em lidarem com impasses psicológicos nos quais idosos estão susceptíveis. Consoante com pesquisas do IBGE, pessoas entre 60 e 64 anos representam a maior proporção de depressivos brasileiros. Nesse sentido, o apoio e compreensão parental é essencial, o que é dispensado pelo desconhecimento dos possíveis problemas que podem ser acarretados, como o descontrole emocional diante do panorama hodierno. Certamente, é indispensável a análise, atenção e prática de atividades interativas, a fim de amenizar a ansiedade e o medo.
Evidencia-se, portanto, que o país necessita otimizar o cuidado e preocupação com a terceira idade, especificamente na quarentena. Em vista dessa problemática, o Ministério da Saúde com o auxílio de psicólogos, deve criar uma plataforma virtual com vídeos e informações de como agir com os idosos no contexto atual, isto é, orientações para o entretenimento e detecção de sintomas depressivos. Dessa maneira, indivíduos próximos estarão informados e preparados para lidar com os impactos psíquicos da pandemia, assim como o acolhimento tornará comum, por conseguinte, a velhice se desenvolverá de modo saudável e satisfatório.