Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 21/08/2020

Segundo a escritora Virginia Woolf, de tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas e suas mudanças. No contexto atual, devido à pandemia do Covid-19, é inegável que essas relações de fato mudaram, especialmente no que tange à população de faixa etária mais elevada. Em vista disso, tal população - que deve se resguardar e respeitar ainda mais o isolamento social por fazer parte do grupo de risco da doença - torna-se, consequentemente, suscetível à transtornos mentais e vulnerável aos sentimentos de solidão e impotência.

Primordialmente, vale ressaltar a consistência e a naturalidade dos problemas psíquicos no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o país é o mais ansioso do mundo e o segundo mais depressivo das Américas, dados preocupantes quando trazidos pro âmbito da terceira idade. Por conseguinte dos tempos antigos - onde os idosos de hoje eram juventude -, quando o entretenimento do dia a dia fazia-se dependente de encontros presenciais e interações diretas e reuniões familiares eram mais frequentes, o requerido distanciamento social atual afeta de forma acrescidamente negativa essa parcela da população, agravando os casos de depressão, ansiedade e estresse.

Assim como o lazer, a forma de criação das pessoas desde criança era diferente. Em função do êxodo rural após a Terceira Revolução Industrial - responsável pelo surgimento da internet e modernização dos meios de trabalho - iniciado na metade do século XX , as famílias foram ficando cada vez menores e a mão-de-obra para a agricultura menos necessária. Com isso, deixaram-se de lado tradições costumeiras das pessoas mais velhas junto de seus familiares, muitas vezes esquecidas pelos seus filhos e netos. Em adição, pelo fato de estarem limitados à sua residência, entram em conflito com a forma que viviam antes, e a proatividade - característica adquirida desde jovens - dá lugar ao sentimento de impotência ou incapacidade.

Diante do exposto, fica evidente que medidas devem ser tomadas para atenuar a situação. Para tal, é função do Estado, mediante parcerias público-privadas com emissoras de televisão, criar um canal destinado às pessoas mais velhas com programações de lazer em geral (atividades físicas que podem ser realizadas em casa, por exemplo). Ademais, deve-se haver a realização de palestras feitas de forma didática no mesmo canal, com ênfase na importância da saúde mental do idoso, ministradas por profissionais qualificados em concursos públicos anteriores. Somente assim, transformaremos a estranheza das relações citada por Virginia Woolf em harmonia e inclusão, neste caso dos pertencentes à terceira idade nesses tempos difíceis.