Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 04/09/2020

Nos últimos anos, desde a segunda metade do século XX, o  Brasil foi um dos países que elevou, significativamente, a expectativa de vida da população. Por isso, os idosos vivem mais e desfrutam de certa qualidade de vida por meio do acesso a serviços de saúde e lazer. Por outro lado, com a pandemia do novo Coronavírus, a maioria dos senis foram obrigados a se isolar do ambiente social e permanecer em casa, haja vista o risco da contaminação ser altamente perigoso para esse grupo. Contudo, é sabido que essa prática reduz o bem-estar dos idosos, bem como os deixa vulneráveis ao comprometimento de sua saúde mental.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que os efeitos da quarentena são nocivos a todas as idades, mas se potencializam na terceira idade. Isso porque é nessa faixa etária que o amor e o carinho de amigos e familiares devem ser ratificados, pois há uma tendência de que os idosos de sintam mais sozinhos do que o comum, porém, com o isolamento, a solidão tende a ser reforçada. Tal análise deve ser observada sob a perspectiva do filósofo clássico Aristóteles, ao afirmar que o homem é, essencialmente, um ser social, visto que é um animal que precisa dos outros membros da espécie para ser pleno e feliz. Nesse viés, a quarentena impacta na rotina dos indivíduos da terceira idade, ao restringi-los da interação e do contato com outras pessoas.

A consequência do isolamento social, portanto, se configura pelo agravamento de problemas de saúde mental dos idosos mais vulneráveis, com o risco de desenvolver distúrbios como ansiedade e depressão. Nesse panorama, segundo um estudo feito pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado de Rio de Janeiro, os casos de depressão praticamente dobraram desde o início da quarentena. Logo, por causa das medidas de isolamento social e do medo que acompanha os riscos de contaminação fatal pela Covid-19, tal índice pode se estender aos idosos. Nesse esteira, não há dúvidas de que os impactos da quarentena refletem problemas que ainda irão persistir na sociedade.

Sob tal ótica, é imperioso enfatizar a urgência por mudanças na conjuntura vigente. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias de saúde estaduais e municipais, promova atendimento psicológico e psiquiátrico para os idosos durante e após a quarentena, por meio de consultas que devem ocorrer pela internet ou por visitações a domicílios. O objetivo dessa ação é minimizar a sobrecarga mental da pandemia sobre os idosos, seguros, também, da contaminação. Ademais, os familiares devem estar atentos aos sinais de mudança comportamental nos seus entes, que podem indicar distúrbios na saúde mental desses indivíduos. Por intermédio dessas ações, será possível superar a pandemia e logo devolver qualidade de vida aos idosos no país.