Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 30/08/2020
A Terceira Revolução Industrial foi responsável por aliar conhecimento cientifico com avanços tecnológicos. Tal realidade impactou diversas áreas da sociedade, como observou-se na medicina. Notadamente, refletindo-se na estrutura da pirâmide etária brasileira. A base, por sua vez, está mais estreita e o cume mais espesso, ou seja, a expectativa de vida tem aumentado. Nessa perspectiva, é de suma importância analisar os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena, dado que tal grupo é cada vez mais numeroso. Desse modo, percebe-se não só hábitos antigos que se tornaram latentes, como também a não efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o escritor Jared Diamond, em ‘‘Armas, Germes e Aço’’, argumenta que tais elementos expõem processos que estão em curso na sociedade. Nesse sentido, nota-se que o isolamento social, imposto pela pandemia, releva o cenário de desvalorização ao idoso. Ao passo que o IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas- notifica, em um cenário anterior ao vírus, que tais indivíduos sentem-se só, pois recebem poucas visitas. Nessa lógica, as ações, na atual conjuntura, de não realizar videochamadas para os mais velhos, por exemplo, tonificam práticas de outrora e, portanto, escancara o que já estava acontecendo no tecido social.
Outrossim, a Constituição Cidadã explicita os direitos resguardados a todos os idosos. No entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, uma vez que não há políticas públicas sendo discutidas nas agendas governamentais, com o fito de coibir os impactos que os mais velhos podem está sujeitos, como, a depressão e a solidão, por exemplo. Nessa lógica, o paralelo entre o cenário exposto e a Carta Magna reverbera o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se que a dissonância ante os dispositivos constitucionais e a narrativa factual é um emblema que precisa ser solucionado.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo realize palestras destinadas à sociedade, por meio de cientistas sociais que revelem a importância de ser atencioso com o idoso, mediante ligações telefônicas e videochamadas, a fim de mitigar hábitos que denotem a desvalorização. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, realize campanhas publicitárias, por intermédio de médicos que evidenciem a importância do Estado realizar políticas públicas eficientes direcionadas ao cuidado do idoso, nesse período, com intuito de que haja concordância entre os dispositivos constitucionais e os fatos. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas oriundos do impacto do coronavírus na saúde mental dos mais velhos na quarentena.