Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 31/08/2020
Segundo o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante medidas políticas, sociais e econômicas. Entretanto, no que diz respeito à situação dos idosos no período de quarentena, esse direito não está sendo cumprido, dado que os índices de depressão, ansiedade e estresse – fatores que podem induzir o surgimento e agravamento de doenças imunológicas e cardiovasculares – têm crescido de forma vertiginosa e nada está sendo feito para enfrentar este cenário.
Nesse sentido, o isolamento social, obrigatório neste período de pandemia, influencia o aparecimento de sentimentos de abandono e solidão nesses indivíduos, visto que não podem ter contato físico nem mesmo com familiares e amigos, além de estarem impossibilitados de frequentar grupos de interação e atividades ao ar livre. Além disso, a incerteza frente ao futuro e a mudança repentina da rotina também são aspectos da nova realidade que provocam grande ansiedade, estresse e até mesmo casos de depressão, sobretudo em pessoas mais ativas socialmente e de idades avançadas, de acordo com Cecília Prado, psicóloga e professora da Universidade de São Paulo.
Dessa forma, conforme pesquisadores da Universidade de Chicago, condições muito estressantes, como as provocadas pela disseminação do coronavírus, induzem graves reações inflamatórias no organismo, que contribuem com a redução das respostas imunológicas e, consequentemente, com o aumento do risco de mortes em até 14% em indivíduos com mais de 60 anos. Ademais, estudo divulgado pela Universidade de York indica que quadros depressivos e de intensa ansiedade aumentam a ameaça de doenças cardíacas em 29% e o de doenças vasculares em até 32%, sobretudo em idosos, sendo necessárias medidas urgentes que modifiquem esse cenário.
Portanto, com o intuito de garantir a saúde dessas pessoas de faixa etária avançada, principalmente neste período, no qual há grandes chances de contaminação, é essencial que o Ministério da Saúde assegure que tenham acesso a profissionais de saúde de qualidade ligados à saúde mental. Assim, isso deve ser feito por meio de uma estrutura de telemonitoramento, capaz de acompanhar à distância o impacto do isolamento nessa parcela da população, prestando toda ajuda possível e necessária, em âmbito nacional. Para mais, esse mesmo órgão deve fazer uso de propagandas, nas mídias diversas, que apresentem depoimentos de idosos e influenciem as famílias a manterem contato diário com os pais e avós, por exemplo, mediante ligações de vídeo e conversas por “whatsapp”, com o intuito de garantir que não se sintam sozinhos e deprimidos apesar da distância física.