Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 03/09/2020

A terceira idade é um período de grandes transformações para o indivíduo. Isso inclui uma série de mudanças físicas, aposentadoria, doenças, afastamento ou perda de pessoas queridas, além de uma redução da independência e autonomia de modo geral. Sendo assim, o isolamento social, fundamental para evitar a propagação do novo coronavírus entre os idosos, principal grupo de risco, pode causar sérios impactos na saúde mental dos mesmos, como ansiedade e estresse ou depressão.

Em primeira análise, o fato é que a solidão na terceira idade já era um problema antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, muitos completamente abandonados pela família. Mas agora esse problema ganhou uma nova perspectiva, com centenas de milhares de idosos tendo que interromper suas rotinas e atividades sociais para permanecer em casa. Pesquisadores da Universidade de Chicago descobriram que o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% nas faixas etárias mais avançadas. Isso se deve ao fato de que a solidão é capaz de gerar no organismo uma reação de “lutar ou fugir” (fight or flight), que é característica de situações de alto estresse.

Ademais, um grupo de pesquisadores da Universidade de York divulgou um estudo indicando que a solidão e o isolamento social podem aumentar o risco de doenças cardíacas em 29% e o de acidentes vasculares em até 32%. Assim, tanto o aumento da pressão e dos níveis de colesterol quanto a diminuição na capacidade cognitiva e o agravamento de quadros depressivos podem ser potencializados pela sensação de isolamento e solidão. No que se refere à depressão, o isolamento social pode ser tanto um sintoma quanto um fator desencadeador da doença. Isso vale especialmente para os idosos que estão acostumados a uma vida social mais intensa, como atividades em grupo e passeios ao ar livre.

Dessa forma, é fundamental que as operadoras de saúde contem com uma estrutura de telemonitoramento capaz de acompanhar à distância o impacto do isolamento nessas populações e devem manter contato com cuidadores e familiares orientando para que fiquem atentos aos sinais de tristeza aguda nos idosos com quem convivem. O contato telefônico periódico deve incluir não apenas protocolos para checar a presença dos sintomas da Covid-19, mas também para acompanhar o quadro de saúde mental do idoso. Além disso, é de total importância que a família e outras redes de apoio transmitam instruções claras de maneira concisa, respeitosa e paciente, para ajudá-los a praticar medidas de prevenção. Com isso, uma saúde completamente boa para toda a população idosa.