Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 03/09/2020

Isolamento e solidão

Na história da humanidade, não é a primeira vez que ocorre um processo pandêmico, visto que a ascensão da Peste Bulbônica durante parte do século XIV dizimou milhares de pessoas, uma vez que nesse período não existia-se a ciência da importância do isolamento social, e muito menos, dos avanços da medicina na cura de doenças. Nesse contexto, hoje, devido ao processo de disseminação do Covid-19, a restrição social faz-se necessária. Porém, apesar de previnir o contágio, esse método implica na saúde mental de diversos brasileiros, principalmente na dos idosos que, muitas das vezes lidam com a solidão e a consequente depressão nessa fase da vida, sendo a quarentena um possivel agravador.

Na terceira idade é muito comum o surgimento de situações que diminua a autoestima dos idosos pois, têm de lidar com a aposentadoria, a queda nos redimentos, o excesso de tempo ocioso a ser preenchido e o pensamento retrógado da sociedade brasileira atual que ainda associa o envelhecimento com a proximidade da morte. Desse modo, com tantos pensamentos negativos a depressão torna-se algo comum nessa faixa etária, tendo em mente que a taxa dessa doença em pessoas com idade entre 60 e 64 anos é a mais comum, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Logo, além de ter de lidar com o apresentado, o idoso , durante a pandemia em que não tem outra alternativa a não ser permanecer em casa e diminuindo ainda mais o contato com amigos e familiares, tende a assimilar o isolamento à solidão, o que pode prejudicar diretamente a sua saúde.

Além disso, a permanência do afastamento e a exagerada exposição as noticias relacionadas ao corona vírus só despertam a ansiedade e o estresse, o que prejudica também essa parcela da população pois, de acordo com pesquisas feitas pela Univerdade de Chicago, o estresse pode aumentar em 14% o risco de morte nas faixas etárias mais elevadas pelo fato de essa exaustão induzir respostas inflamatórias que reduzem a produção de leucócitos. Ou seja, o isolamento evita o contágio da nova doença, porém, implica diretamente na saúde mental dos idosos brasileiros.

Em suma, para que durante a quarentena os idosos não se sintam só, faz-se necessário a tomada de algumas medidas. Assim, ONGs, visando o bem estar dessa população, devem disponibilizar um programa de telefonema gratuito, divulgando por meio de mídias, principalmente por TV e rádio, pelo fato de serem utilizados por boa parte da terceira idade, para que essas pessoas possam conversar com outras, a fim de que possam se sentir menos sozinhos e mais acolhidos, amenizando a angústia presente durante o isolamento e favorencendo a saúde mental de todos.