Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 04/09/2020

Na série americana “One day at a time” a idosa Lydia vive com sua filha e seus netos, fato que proporciona inúmeros momentos de interação, carinho e respeito, juntos eles incentivam uns aos outros, buscando sempre o bem-estar do conjunto familiar. Fora da ficção, nem sempre a realidade se mostra a mesma, sendo por muitas vezes um cenário conturbado. Dessa forma, a falta de preparo e a ausência de empatia impactam diretamente na saúde mental dos idosos em tempo de pandemia.

Em primeiro plano, pode-se perceber como impasse à consolidação de uma solução as brechas na formação do indivíduo. Conforme Nelson Mandela, apenas o aprendizado é capaz de mudar o mundo, porém, no país, esse conceito apresenta-se relegado a segundo plano, à medida que como se relacionar e auxiliar os anciões não é abordado por conta da ausência de verbas, já que, de acordo com dados do portal UOL, o investimento em ensino decaiu 56% nos últimos quatro anos, outrossim, sem medidas efetivas, como aulas e palestras que preparem adequadamente o ser para cuidar dos mais velhos, torna-se difícil modificar o cenário lamentável de descaso com a disposição da mentalidade dos mais velhos.

Nesse sentido, quando o Estado não cumpre seu papel, a sociedade civil deve agir por meio da empatia, o que não acontece devido ao egocentrismo. De acordo com Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é fortemente marcada pelo individualismo. Sob essa óptica, a reflexão do sociólogo mostra-se intrínseca ao cotidiano brasileiro, no que tange à garantia da manutenção da saúde mental do idoso, segundo Drauzio Varella, o ato de manter-se em contato com amigos e familiares mais velhos pode contribuir para a formação de uma mentalidade mais alegre, desse modo, atos do dia-a-dia, a exemplo de telefonar para eles faz toda a diferença, principalmente em tempos de isolamento social. Destarte, é necessário que o cidadão aja em prol da coletividade, possibilitando meios para superar este obstáculo.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde e o Ministério dos Direitos Humanos ajam em parceria e criem eventos e palestras virtuais, além de ampliar preexistentes, por meio de uma divulgação nas redes sociais e nas instituições públicas para aumentar a interação entre os anciões, em que será possível conversar e trocar experiências com o apoio de psicólogos e médicos. Feito isso, será possível ampliar as possibilidades destinadas aos brasileiros e criar uma nova estrutura de incentivo a proteção do idoso, para, verdadeiramente promover benefícios aos cidadãos.