Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 09/09/2020
“Que maravilha seria se ninguém precisasse esperar um único momento para melhorar o mundo”. Essa era a visão da vida perfeita idealizada por Anne Frank, ao escrever o seu diário em Amsterdã, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, porém, os impactos negativos na saúde mental dos idosos durante o período de quarentena revela uma realidade bem distante desses cenários dos sonhos. Isso se deve à falta de atitude do governo e à omissão da sociedade.
Em primeiro lugar, vale destacar que a ineficácia governamental está intimamente ligada com os efeitos negativos na saúde mental dos idosos no decorrer do isolamento social. Essa correlação fundamenta-se no fato de que, no Brasil, não há tantos investimentos na inclusão do idoso no meio digital, por exemplo, uma vez que, segundo pesquisas do jornal O Globo, apenas 37% dos idosos têm acesso à internet e aos produtos tecnológicos. Isso se deve, sobretudo, ao elevado preço das tecnologias atuais, o qual não é coerente com os salários dos idosos. Nesse sentido, com o pouco apoio do Estado para mudar tal situação, a questão da comunicação e do sentimento de proximidade (entre os idosos e seus familiares e amigos) torna-se ainda mais difícil, o que contribui para a intensificação de transtornos mentais a esses indivíduos.
Ademais, a omissão da sociedade está intrinsecamente relacionada com os impactos não positivos na saúde mental da terceira idade durante a quarentena. Isso pode ser comprovado pela fala do jurista Márcio Brava que, em entrevista à Revista Le Monde Diplomatique, declarou que tal problemática se deve à omissão da sociedade no que se diz respeito ao incentivo das práticas corporais e na solidarização em ajudar os idosos no processo de inclusão no meio digital diante ao isolamento social(segundo dados sociológicos, mais de 47% das famílias falham em tais quesitos). Dessa forma, os anciões tornam-se vítimas de transtornos ligados à saúde devido a falta de assistência social.
Infere-se, portanto, que a ineficácia governamental e a omissão da sociedade são fatores impulsionadores dos impactos na saúde mental dos idosos durante o isolamento social. Logo, a fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o Governo Federal, por meio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, invista em políticas públicas que sejam capazes de minimizar o valor dos produtos tecnológicos para a terceira idade, como a internet e os celulares, a fim de garantir uma inclusão social maior da terceira idade durante o isolamento social. Paralelamente, a mídia deve promover debates e campanhas que englobem a importância da ação social(seja pela solidariedade seja pelo incentivo) nesse período, sobretudo, com os idosos. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.