Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 19/09/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos o direito à saúde, isto inclui a saúde mental. Entretanto, em meio a atual pandemia do coronavírus percebe-se que este direito está sendo deturpado, principalmente no que concerne aos idosos. Nesse contexto, os impactos do isolamento social na saúde mental desta faixa etária são agravados pela falta de conhecimento da população e pela ineficácia do Estado em mitigar este problema.
Em primeiro plano, os impactos negativos na saúde mental dos idosos em isolamento social é agravado pela falta de conhecimento básico da população acerca do assunto. Ou seja, em um cenário em que as pessoas próximas dos idosos não reconhecem os sintomas de doenças psicológicas é fato que o diagnóstico e tratamento são postergados ou até mesmo nunca realizados. Nessa ótica, existem algumas políticas públicas durante o ano, como a “Setembro Amarelo” - campanha contra suicídio que ocorre no mês de setembro -, mas não existe nenhuma ação em relação à saúde dos idosos, grupo que está extremamente vulnerável neste momento de quarentena. Dessa forma, é evidente como a falta de informação dos indivíduos corrobora a piora do infortúnio em questão.
Ademais, o problema de saúde mental de idosos em isolamento social durante a quarentena é fruto da ineficiência do Estado em abordar este tema. Sob esse viés, ocorre a quebra do contrato social, uma vez que ao revogar o “Estado de Natureza” - momento em que o homem não é obrigado a seguir leis e tem total liberdade -, com objetivo de ser governado pelo Estado, os cidadãos esperam que este garanta plenamente os direitos a todos, o que não ocorre no âmbito da saúde dos idosos. Desse modo, fica nítido que a falta de eficiência do Estado agrava a problemática.
Portanto, a fim de garantir que se diminua os impactos negativos na saúde mental dos idosos durante a quarentena, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas sobre o assunto, mediante redes televisivas nacionais abertas - que possuem grande alcance da população. Em detalhe, as campanhas devem explicar os principais sintomas de doenças mentais e alertar o risco das mesmas, além de salientar a importância de diagnóstico e tratamento. Espera-se assim que o direito constitucional seja melhor garantido.