Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 20/09/2021

Sancionado em 2003, o Estatuto do Idoso tutela o bem-estar físico e mental da parcela populacional com 60 anos ou mais. Entretanto, Devido à vulnerabilidade dos idosos, estes tornam-se mais suscetíveis a problemas que prejudicam o amparo legal, como os causados pelo distanciamento social devido à pandemia do novo coronavírus. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe ao Estado um melhor gerenciamento das necessidades dos idosos e, à sociedade, a conscientização acerca do tema.

Sob esse viés, tem-se que a existência de uma rede de apoio é fundamental para a homeostase (equilíbrio interno) sanitária dos idosos. Nesse ínterim, tal assertiva é corroborada pelo conto “O grande passeio”, de Clarice Lispector, o qual elenca o sentimento de invisibilidade perante a sociedade como um dos principais agentes de dano à saúde geriátrica. Dessa forma, evidencia-se a importância do apoio govarnamental e familiar no sentido de desmarginalizar esse público de forma segura, tomando-se os devidos cuidados em relação à pandemia.

Em segundo plano, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das mudanças sociais almejadas. Nesse ensejo, o antropólogo Roberto Damatta, em “Carnavais, malandros e heróis” (1979), critica a inércia do brasileiro, por esperar a proatividade política na solução das demandas existentes. Em contrapartida, como sustenta o autor, tem-se que resultados melhores são alcançados quando o povo participa ativamentente dos processos necessários à solução. Dessa feita, nota-se que a conscientização sobre os cuidados em relação aos idosos deve começar, ainda, no seio familiar e nas escolas.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes para a tutela dos idosos. Logo, cabe ao Congresso Nacional a abertura de uma comissão especial, por meio de processo legislativo instituído, a fim de assegurar a aplicabilidade do Estatuto do Idoso em tempos de pandemia. Para isso, os parlamentares deverão levantar as demandas junto a especialistas no assunto e à sociedade, com vistas a garantir a pluralidade e integralidade nos trabalhos. Nesse ponto, uma boa linha de ação consiste na previsão legal de abertura de centros de lazer e convivência para idosos, em todos os estados, com a presença de equipes de saúde e médicos geriatras, para que sejam promovidos entretenimento e integração de forma segura e controlada. Assim, gradativamente, serão observadas melhorias nos indicadores de depressão e ansiedade dessas parcelas, outrora, preteridas.