Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 15/10/2020
“Entre uma sociedade que faz o mal e um povo que consente há uma cumplicidade vergonhosa”. Por meio dessa citação, o escritor Victor Hugo mostra que deve existir uma cooperação entre o Estado e a Sociedade Civil. Atualmente, a pandemia do coronavírus trouxe desafios a toda sociedade e evidenciou a necessidade dessa cooperação para desacelerar o ritmo de contágio da doença. Destarte, dentre os desafios enfrentados está o impacto do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena. Tal fenômeno constitui um problema social e tem efeitos negativos, principalmente, no tocante à ausência de convívio social e na segregação causada pela aceleração da digitalização. Mormente, é inquestionável a importância do convívio social para a saúde mental, pois o homem é um ser político, como afirmou Aristóteles. Sob esse viés, o isolamento social, durante a quarentena, afeta o emocional dos idosos, posto que afasta-os dos ciclos de convivência. Ratifica-se, essa realidade, por exemplo, com o distanciamento físico dos filhos e netos, com intuito de evitar a contaminação . Nessa perspectiva, a ideia de Durkheim, no livro “O Suicídio”, corrobora esse ponto de vista, porquanto afirma: quanto maior a intensidade e a frequência das interações interpessoais menor a chance dos indivíduos deprimirem-se e chegarem ao suícido. Logo, a saúde mental da terceira idade foi prejudicada pela quarentena.
Outrossim, sabe-se que os idosos enfrentam problemas de invisibilidade e exclusão social. Nesse contexto, a digitalização de relacionamentos e serviços, resultado da pandemia do Covid-19, fez crescer a segregação, haja vista que o grupo em questão tem dificuldade de interagir na era digital. Diante disso, o sociólogo britânico Nick Couldry, em sua obra “Por que a voz importa?”, afirma que um dos principais problemas da contemporaneidade é a desigualdade da fala, isto é, capacidade de expressão. Segundo ele, existem inúmeras vozes que por não serem ouvidas são renegadas a inexistência. Por conseguinte, os sentimentos de solidão de abandono são reforçados, prejudicando o emocional.
Urge, portanto, a necessidade de compreender os impactos na saúde mental dos idosos como um problema social e procurar mitigá-lo. Para tanto, cabe ao Estado, por meio de coalizões com empresas privadas, desenvolver aplicativos acessíveis aos idosos, a fim de facilitar a interação desse grupo, promover sua voz e diminuir sua exclusão. Ademais, deve a família , com todos os cuidados precisos contra o coronavírus, interagir com os mais velhos, por intermédio de momentos juntos e conversas, com intuito de acabar com a solidão e cuidar da saúde mental. Assim, será possível alcançar a plena saúde mental da terceira idade.