Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 04/11/2020

A obra “Decomeron”, escrita por Giovanni Boccacio,retrata o dia-a-dia de alguns jovens no contexto da peste negra, pandemia que assolou a Idade Média. Consoante a isso, não distante da ficção, o Brasil, no ano de 2020, vivencia um cenário equivalente devido ao Civid-19, de modo que, torna-se possível analisar, como impacto, o desenvolvimento de distúrbios psicológicos entre os idosos. A partir dessa análise, torna-se crucial formular medidas que visem minimizar esse resultado da inobservância estatal perante a problemática e, também, da não mobilização familiar em prestar apoio ao idoso.

A priori, a atual Constituição Federal, defende, em seu artigo 6, o acesso à saúde. Todavia, analisa-se que o Estado apresenta-se inobservante, sobretudo nesse período de pandemia, visto que, ao estar voltado com maior atenção ao setor curativo da Covid-19, está menos presente na medicina preventiva voltada às doenças mentais. Nesse sentido, fica nítido que a saúde mental dos idosos têm sido negligenciada pelos órgãos estatais, de modo que, sem suporte, fiquem vulneráveis à depressão, impacto do isolamento social resultante da mudança de hábitos. Portanto, torna-se crucial analisar medidas que valorizem a medicina preventiva, de maneira a minimizar o número de idosos diagnosticados com doenças mentais.

A posteriori, segundo Emile Durkheim, filósofo contemporâneo, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico, de forma que todos devem formular alternativas para a adaptação social à contextos adversos. Contudo, isso não é observado no atual cenário pandêmico, pois, os jovens que mantém o convívio social por meio das redes não estão enquadrando seus familiares idosos nessa alternativa adaptativa, assim, os idosos ficam mais propícios à solidão. Em análise, esse cenário vai contra a OMS que afirma que a sociabilidade é um dos pilares para a vida saudável. Logo, deve-se instruir o corpo social a incluir os familiares idosos dentro do contexto virtual, de jeito que possam sociabilizar e apresentar menos possiblidade de vir a desenvolver patologias mentais.

Em suma, deve-se interferir na problemática. Desse modo, o Governo deve ativar, por meio de recursos financeiros, o Ministério da saúde que, por sua vez, irá contratar médicos à fim de ampliar os serviços psiquiários negligenciados. A partir de então, esses médicos deverão estar a frente da medicina preventiva, ampliando o suporte aos idosos em postos de consultas específicos. Consoante a isso, as consultas devem sem realizadas em horários marcados e, também, separadas das áreas onde trata-se a Covid-19, para que não exista o risco de contaminação. Assim, corroborar para o bem estar social e minimizar os impactos da pandemia na saúde mental dos idosos.