Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 03/11/2020

A pintura do artista surrealista Salvador Dalí de 1931, “A persistência da memória”, aborda, através dos relógios derretidos, a atemporalidade, ressignificando os ponteiros das horas. Sob essa lógica artística, nota-se a transfiguração do relógio como símbolo da importância do passar do tempo, principalmente para os idosos. A partir desse viés, é válido analisar os impactos do isolamento social durante a pandemia do coronavírus na vida dos idosos, os quais ficam mais vulneráveis mentalmente com o passar do tempo.

De início, é importante entender que o idoso na sociedade capitalista é tido como um fardo a ser carregado por aqueles que têm força de trabalho para vender. Dessa forma, já se tem arraigado no imaginário das pessoas com idade avançada a própria marginalização e insuficiência, impactando diretamente na saúde mental destes. Segundo o pensamento da filósofa política Hannah Arendt, o homem na terceira idade já passou pelos momentos essenciais da vida e desempenha, cada vez, menos funções, buscando outro sentido para a vida, ou seja, essa procura incessante de novas perspectivas gera sofrimento psiquíco no idoso.

Convém pontuar, ainda, que a pandemia do coronavírus agravou a situação de saúde mental dos idosos, pois ao impossibilitar as relações sociais que sempre foram protetivas a esses e restringi-las a ligações e chamadas de vídeo a distância, tem-se o aumento de casos de depressão desses indivíduos. Isso ocorre devido a redução do contato físico e social em atividades direcionadas a idosos como o pilates e a hidroginástica, por exemplo. Percebe-se, então, que as mudanças na rotina impostas pela quarentena e a obrigatoriedade de ficar em casa, afetaram, diretamente, o bem estar dos idosos, consequência disso, de acordo com pesquisas da BBC Brasil, foi o aumento de, cerca de, 60% nos índices de depressão entre idosos.

Logo, para resolver esse problemático cenário de vulnerabilidade dos idosos, faz-se necessário, primeiramente, o apoio da família passando uma sensação de acolhimento para que o idoso não se sinta sozinho, isso por meio de ligações e mensagens durante o período de pandemia. Faz-se essencial, também, que o Ministério dos Direitos Humanos -por ter autonomia financeira- promova a atividades em vídeo, diariamente, com os idosos para que esses interajam socialmente mesmo em isolamento, isso mediante o repasse de verbas da União para o investimento na capacitação de profissionais que possam dar aulas dinâmicas, por intermédio de aplicativos de reuniões em vídeos como o Zoom, por exemplo.