Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 27/11/2020

A Grande Depressão, iniciada com a queda da bolsa de valores de Nova Iorque em 1930, foi marcada por tentativas de suicídio pelos economistas que foram afetados por tal acontecimento. Posto isso, nota-se que os efeitos das crises sobre o psicológico dos indivíduos perduram, destacando-se, em meio à pandemia de COVID-19 (Doença do Coronavírus 2019), os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos, os quais são causados pela participação desses sujeitos no grupo de risco para agravamento dessa virose e têm um comportamento suicida como um de seus efeitos. Desse modo, é necessário ações governamentais e midiáticas para que esse óbice seja solucionado.

Em primeiro plano, observa-se que a maior proteção conferida aos idosos durante a quarentena, por eles serem mais vulneráveis à moléstia, acarreta a privação completa do seu direito de ir e vir, a qual, mesmo sendo imprescindível nessa situação, traz desequilíbrios emocionais a essas pessoas. Segundo dados do Ministério da Saúde, em agosto de 2020, 75% das mortes por COVID-19 eram de seres com mais de 65 anos de idade. Nesse viés, é evidente que tais figuras sociais são as mais afetadas, cenário que ocasionou o seu distanciamento de parentes e de amigos, uma vez que era preciso uma medida de segurança, e, consequentemente, aumentou o sentimento de solidão entre esses cidadãos, bem como o medo de deixarem aqueles que amam. Assim, o Estado, ao investir no amparo emocional a distância desses indivíduos, desempenha um papel fundamental na manutenção de sua saúde.

Outrossim, o desenvolvimento de transtornos mentais na pandemia, como a depressão, causa o crescimento do suicídio entre os idosos. Consoante o poeta chileno Pablo Neruda, o homem é livre para fazer escolhas, mas arcará com as consequências. Nesse contexto, é notório que a parcela mais experiente da sociedade, ao não procurar ajuda profissional quando identifica problemas psicológicos, coloca em risco o seu conforto e, em alguns caos, a sua vida, visto que essa negligência provoca o agravamento de sintomas existentes. Portanto, uma maior conscientização a respeito da importância de perceber a necessidade de um apoio emocional possibilitaria uma queda nas atitudes suicidas.

Logo, é indubitável que a saúde mental dos idosos foi afetada na quarentena, devendo-se agir a fim de resolver esse impasse. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com instituições privadas, criar programas de amparo psicológico aos aposentados, por meio de um acompanhamento virtual de profissionais, já que o isolamento não pode ser quebrado, com o fito de melhorar o bem-estar dos anciões. Ademais, é um dever da mídia divulgar a transcendência de recorrer a um auxílio nos períodos de dificuldade, para incentivar os idosos a cuidarem de sua qualidade cognitiva, diminuindo os casos de suicídio e evitando um contexto semelhante ao do início do século XX.