Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 27/11/2020

No filme “Up: altas aventuras”, Carl é um vendedor de balões que, após a morte da sua mulher, sente-se muito sozinho e acaba se tornando um idoso muito ranzinza. De maneira análoga à realidade, o isolamento social impactou, diretamente, a saúde mental de todas as pessoas na quarentena, mas, principalmente, a dos idosos, visto que são a parcela da população mais vulnerável ao covid-19. Assim, a solidão devido ao desamparo familiar e o baixo investimento em saúde contribuem para a perpetuação desse cenário. Logo, cabem medidas governamentais para reverter esse panorama.

Em primeira análise, vale ressaltar que a solidão sofrida pelos idosos é fruto do desamparo da sua família que abala, de forma direta, sua saúde mental. Segundo o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, a solidão faz com que o solitário devore a si mesmo. Desse modo, ao se sentirem sozinhos e desamparados, os idosos se prendem a pensamentos angustiosos, como a morte, por exemplo, que aumentam por causa da falta de contato humano que a quarentena os propiciou. Nesse sentido, devido à distância inevitável de seus familiares e por muitos deles ainda terem que trabalhar, os idosos começam a ter a sensação de peso para seus entes, uma vez que necessitam de cuidados constantes. Dessa forma, uma rotina apertada da família aumenta os impactos do isolamento social nos idosos.

Além disso, cabe salientar que o baixo investimento em medidas protetivas é mais um fator nefasto que impacta a saúde mental dos idosos. De acordo com a Constituição de 1988, todo cidadão possui garantia de direito à saúde. Entretanto, tal direito não é garantido de forma plena, tendo em vista que há centrais de atendimento para todas as outras doenças, exceto para as doenças mentais, como ansiedade e depressão. Isso ocorre porque o Estado não investe suficientemente em tratamentos psicológicos nos idosos, pois julgam que por já estarem no fim da vida, não precisam mais desfrutar de uma saúde com qualidade. Destarte, é evidente a despreocupação estatal com a saúde dos idosos.

Portanto, é imperativo pontuar caminhos para combater os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena. Em suma, o Ministério da Família deve promover campanhas por meio de propagandas que circulam na mídia, redes sociais e televisão aberta, por exemplo, com o intuito de conscientizar a família da necessidade de socialização dos idosos, evitando assim que eles se sintam sozinhos. Ademais, o Governo Federal deve criar uma plataforma digital, por meio da contratação de desenvolvedores de aplicativo, que contenha uma aba de profissionais em saúde mental, com pedidos de ajuda, caso algum idoso precise de uma consulta urgente. Espera-se, com isso, que não aconteça com os idosos o que aconteceu com Carl em “Up: altas aventuras”.