Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 27/11/2020

O filme “Sol da meia-noite” retrata a história de uma menina que, em virtude de uma rara patologia, não pode sair de casa no período diurno, pois sua pele nao se adapta ao sol. Diante disso, nota-se uma semelhança entre o filme e a realidade dos idosos na contemporaneidade, já que estão impossibilitados de sair de casa em respeito à quarentena obrigatória, a qual tem intuito de diminuir o alcance do coronavírus e de garantir a saúde dos habitantes. Entretanto, a solidão, bem como o medo do futuro são fatores contribuintes nos impactos do isolamento social na saúde mental dos mais velhos. Logo, medidas familiares e governamentais são necessárias para metamorfosear o óbice apresentado.

A princípio, constata-se que o isolamento social faz com que os mais velhos se sintam solitários, haja vista a inviabilidade de encontros com familiares. Consoante o pensador  Émile Durkhein, o indivíduo se mata para parar de sofrer. Sob esse viés, infere-se que a solidão, isto é o sentimento de abandono e de rejeição , impulsiona no desenvolvimento de gatilhos para doenças mentais, a exemplo da depressão, em decorrência do aumento repentino da tristeza. Dessa forma, não há dúvidas de que tais sentimentos fazem com que o idoso possa recorrer ao suicídio como uma válvula de escape da melancolia.

Em segundo plano, observa-se que o retiro social resulta no medo de um futuro mais problemático. Acerca disso, vale mencionar o trecho da canção “A via-láctea”, do Legião Urbana, “hoje a tristeza não é passageira”. Sob essa ótica, nota-se que a inquietação derivada da impossibilidade de sair de casa   implica no desenvolvimento de pensamentos pessimistas, posto que a vida passa a ser vista como um peso difícil de carregar, impactando na saúde mental dos anciões, mediante a gênese de sintomas de ansiedade. Desse modo, é indubitável que a mudança súbita na rotina dos mais velhos desenvolve formas negativistas de pensar, prejudicando o domínio mental das pessoas com mais idade.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para que, assim como no filme “Sol da meia- noite’, as pessoas mais velhas tenham a saúde psicológica equilibrada. Destarte, cabe ao ambiente familiar criar estratégias para facilitar a comunicação com  parentes de mais idade, por meio de ligações telefônicas, ademais o uso de jogos de interação cibernética, que consigam unir as relações sociais, mantendo o afastamento necessário, com o fito de diminuir o sentimento de solidão. Outrossim, cabe ao governo Federal investir em projetos sociais, por intermédio da contratação de profissionais psicológicos, que proporcionem um atendimento inteiramente gratuito e virtual, a fim de que a população idosa encontre alternativas para se distrair de maneira segura, como também consigam recuperar a esperança de um futuro melhor. Haverá, assim, a minimização dos impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena.