Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 30/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras, como as consequências mentais na população idosa advindas da pandemia. Esse cenário antagônico é fruto tanto da má influência midiática, que exerce influência por meio de seus meios de comunicação,quanto da falta de empatia dos familiares para com os idosos no período de isolamento social.                               Em abordagem inicial, vê-se que os veículos midiáticos contribuem negativamente para a saúde mental dos idosos, visto que bombardeiam os noticiários com informações alarmistas e de maneira tendenciosa. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual defendeu que mecanismos criados para serem instrumentos da democracia não devem ser convertidos em aparatos de opressão. Na esteira dessa ideia, nota-se que a mídia, ao invés de promover informações conscientes e debates acerca da manutenção da saúde mental no período de isolamento, corrobora para a criação de maior preocupação na população idosa, o que gera transtornos depressivos, ansiedade e angústia agravados pelos noticiários alarmantes promovidos pela mídia.

Além disso, os impactos mentais nos idosos advindos da pandemia são agravados pela falta de empatia dos entes queridos para com os mais velhos que necessitam de maior carinho/atenção. Na obra “Modernidade Líquida”, o filosofo polonês Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois para colocar-se no lugar do outro é necessário deixar de olhar apenas para si. Assim, fica claro que os jovens em geral não oferecem o suporte adequado à população idosa nesse período de isolamento, uma vez que são incapazes de raciocinar os sentimentos e emoções de um grupo frágil do corpo social e os mais vulneráveis à contaminação pelo vírus.

Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem reduzir os impactos mentais na população idosa resultante da reclusão social. A priori, compete ao Ministério das Comunicações, a elaboração de propagandas educativas que abordem acerca de modos e dicas para a manutenção da sanidade mental em tempos de quarentena. Simultaneamente, tais ações devem ser realizadas por meio dos veículos de comunicação (televisão, jornais, revistas), com o intuito de amenizar os transtornos mentais nos idosos fornecendo conselhos práticos. Feito isso, espera-se mitigar a barreira dos impactos na saúde da população idosa influenciados pela pandemia.