Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 07/12/2020
A conquista dos direitos
O filme “Up! Altas aventuras”, dos estúdios Disney, conta a história de um senhor chamado Carl que vive isolado e sofre diariamente por traumas de sua vida, como a perda de um filho e a morte de sua mulher, Ellie. Infelizmente, o caso de Carl e o de muitos idosos durante a pandemia do novo coronavírus compartilham uma realidade: a negligência para com a saúde mental do grupo, principalmente em tempos de isolamento social. Infere-se, então, que o isolamento social impacta severamente no bem-estar mental do idoso, seja pelo descaso governamental, seja pelo silenciamento do problema.
Diante desse cenário, é fulcral pontuar que a problemática não é devidamente enfrentada pelo Governo Federal. A Constituição cidadã de 1988 assegura, em seu artigo sexto, que é dever do Estado garantir a saúde de sua população, tanto dos mais jovens quanto dos mais idosos. Nesse sentido, observa-se uma fatal inconsistência na proposta governamental e em sua prática, visto que , de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, os casos de depressão aumentaram bruscamente nessa pandemia, além de uma das suas causas ser a idade avançada - o que evidencia a ineficiência legislativa.
Ademais, é fato que o silenciamento do impasse é um fator fundamental para o seu agravemento. Consoante o filósofo alemão Jurgen Habermas, a linguagem é o principal meio para a reivindicação de direitos fundamentais. Dessa forma, nota-se que o valor da pauta é proporcional à longevidade alcançada pelo assunto, e já que a saúde mental do idoso durante a pandemia não é um tópico altamente comentado pela sociedade, acaba por não receber os holofotes necessários. Tristemente, uma vez que a mídia é um óbice ao avanço do cuidado com os idosos, é muito difícil reverter a situação, principalmente na sociedade pós-moderna, em que a maioria da população apenas encontra-se preocupada com assuntos recorrentes nas notícias.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o estorvo provocado pela falta de ação do governo e pela carência de discussões acerca da saúde mental do idoso na pandemia. É imperativo que o Ministério da Saúde, por meio de verbas públicas e acordos com centros de pesquisa - universidades públicas ou particulares - , realizem diversas pesquisas e questionários sobre saúde mental com os idosos, para que, enfim, se obtenham mais informações sobre a questão e democratizem a sua importância. Só assim, a realidade vivida por Carl na animação infantil poderá ater-se à ficção, e os idosos terão, finalmente, seus direitos respeitados e valorizados.