Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 08/12/2020

Esse est percipi. Ser é ser percebido. Esta é a Máxima de George Berkeley, que pensava o mundo consistir apenas de ideias. Apesar de sua visão inusitada, é fato que relações sociais, o ser percebido pelo outro, estão no cerne da saúde mental. E durante o isolamento social, os idosos, que já eram relativamente esquecidos, correm severo risco de abandono e depressão.

Émile Durkheim, ao estudar a natureza do suicídio, revela fatores decisivos sobre o ato. Durkheim, ao perceber que o isolamento de instituições e relações aumentam substancialmente a taxa de suicídio, destaca a importância da interação interpessoal para a saúde de uma pessoa. Portanto, à medida que se restringe o contato humano, subtrai-se do bem estar mental.

Em adição, é notável que a população idosa já era, por vezes, ignorada e até mesmo discriminada. Logo, com o advento da pandemia, e consequentemente do isolamento social, um quadro que antes configurava problema agrava-se ainda mais. Pois mesmo que houvessem ações para integrar essa parte da população em atividades sociais, como reuniões para jogos ou clubes de leitura, o advento do vírus impossibilitou muitas dessas ações. Diante deste cenário, esta parcela da população tem seus principais meios de socialização, de percepção, de existência negados.

Assim, para preservar a saúde mental dos mais velhos durante o isolamento social é essencial a ação imediata. ONGs que já conduziam trabalhos em abrigos de idosos devem continuar a operar, aderindo aos padrões de segurança, o Ministério da Saúde poderia redirecionar verbas para auxiliar tais operações. A iniciativa da sociedade civil também se destaca, como a tecnologia facilita interações diversas, ao ensinar familiares idosos a desfrutarem disso minimizam-se os efeitos do isolamento. Enfim trazendo esta parcela da população à existência plena novamente.