Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 31/12/2020
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a depressão é mais comum entre pessoas de 60 a 65 anos. Nesse sentido, é evidente que o isolamento social pode ter alta relação com casos de instabilidade psíquica no principal grupo de risco do Covid-19. No entanto, falta perspicácia e sensibilidade para perceber e amenizar os efeitos da quarentena, respectivamente.Assim, é basilar que familiares e amigos fiquem atentos a manifestações comportamentais nesse período e que o Estado ofereça políticas sociais a fim de reduzir o risco de doenças mentais.
Em primeira análise, o poeta romântico Álvares de Azevedo disseminava em suas obras a depressão como um sentimento de tristeza e desânimo, desconsiderando a complexidade da doença. De forma similar, muitos idosos e suas famílias não conseguem identificar casos de depressão pois a consideram um mero estado de tristeza. Nesse cenário percebe-se que muitos brasileiros não lidam com os transtornos mentais com a necessária responsabilidade e na pandemia esse quadro agravou-se devido o despreparo e uma visão ainda retrógrada da saúde mental. Dessa maneira, o momento de incerteza e medo na quarentena agrava mais ainda o quadro já instalado de negligência com a saúde mental, gerando ansiedade, estresse, depressão e solidão principalmente nos idosos.
Em segunda análise, o médico francês Philippe Pinel, no século XVIII, foi o pioneiro no estudo humanizado sobre as perturbações mentais. De forma análoga, faz-se mister que a gentileza, o diálogo e a escuta permeiem a vida dos idosos na pandemia, visando maior atenção e conforto aqueles que estão mais vulneráveis aos efeitos nocivos do Covid-19. Por conseguinte, é de extrema importância que os parentes estejam sempre em sintonia com o idoso através da conversa e atenção com intuito de planejar a melhor forma de otimizar sua saúde mental. Assim, qualquer indício de desequilíbrio mental deve ser imediatamente tratado com apoio de profissionais da saúde e se necessário remédios para que não ocorra agravamento da doença e piora do estado psíquico do idoso.
Diante do exposto, os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a pandemia devem ser lidados com seriedade. Portanto, faz-se indispensável que o Governo Federal, Estado e Municípios articulem-se para elaborar mais investimentos no setor de saúde mental e políticas que atendam à especifidades de cada região. Desse modo, familiares e idosos poderão estar mais capacitados para perceber e tratar os sintomas da forma adequada e efetiva, prevenindo as dores da alma naqueles que mais sofrem com as consequências da pandemia.