Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 04/01/2021

O artio196, da Constituição Federal de 1988, prevê o direito à saúde como inerente a todo cidadão. Todavia, observa-se uma lacuna na garantia dessa prerrogativa na questão da saúde mental dos idosos durante a quarentena, em virtude do governo e a sociedade ter como prioridade apenas assegurar o isolamento desses indivíduos por ser grupo de risco. Diante disso, torna-se pertinente analisar como a falta de domínio tecnológico contribui com essa problemática e quais as sua consequências.       Primeiramente, deve-se ressaltar como a ausência de domínio tecnológico colabora com a fragilização da saúde mental dos idosos. Como advento da pandemia ocasionada pelo corona vírus, diversas nações passaram por profundas transformações sociais, pois além da mudança na rotina, houve a redução do contato físico para a garantia da segurança dos indivíduos. Nesse contexto, a tecnologia mostrou ser uma importante ferramenta para a superação dos desafios, tais como o isolamento social. Entretanto, a falta de domínio das ferramentas digitais, enfrentada principalmente por pessoas mais idosas que não tiveram durante o seu processo educacional aulas de informática, dificulta o pleno acesso aos benefícios proporcionado pela tecnologia, como por exemplo o contato virtual com familiares e amigos , o que contribui com a sensação de abandono e, consequentemente, com o desenvolvimento de distúrbios mentais.

Ademais, como consequência desta exclusão digital, tem-se impactos negativos na saúde dos idosos durante a quarentena. Segundo dados obtidos através de uma pesquisa realizada pela UERJ, o número de casos de depressão aumentou aproximadamente cerca de 90% no Brasil durante o ano de 2020. Esses resultados evidenciam a negligencia governamental acerca de temáticas relacionadas à doenças e transtornos mentais devido o assunto ainda ser um tabu social de difícil superação, em virtude de tais distúrbios ainda ser vistos como frescura por grande parte da população. Logo, fica claro, a influência negativa da manutenção de pensamentos enraizados para a superação desse cenário.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para isso, o governo, responsável pela elaboração de políticas públicas, deve, por meio de campanhas e anúncios nas mídias sociais, intensificar a divulgação do número de centros de apoio que disponibilize a população atendimento gratuito por telefone, a fim de garantir assistência aos idosos que tem enfrentado problemas relacionados à depressão durante a quarentena. Além disso, cabe ainda ao governo criar projetos, em parceria com escolas profissionalizantes, que disponibilize a cada semestre certas quantidade de vagas gratuitas destinada a população idosa, com a finalidade de promover a democratização do domínio tecnológico. Assim, aos poucos, o país poderá superar os desafios para a garantia de direitos constitucionais.