Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 07/01/2021

Diante da pandemia do novo coronavírus, é necessário manter o isolamento social para conservar a saúde física das pessoas, porém isso trouxe muitos malefícios para a saúde mental de toda a população. Nessa perspectiva, os idosos, que compõe um grupo de alto risco no desenvolvimento de versões mais graves da doença, precisam ser segregados, mas é necessário identificar se essas pessoas estão seguras em seus ambientes familiares, além de sãs física e mentalmente.

Em primeira análise, é inegável que a sociedade brasileira trata seus idosos com extrema violência. Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em 2019, o Disque Denúncia recebeu uma média de 100 ligações por dia referentes a maus-tratos com pessoas da 3ª idade. Infelizmente, com o aumento do tempo de convivência entre os idosos e seus familiares, devido à quarentena instaurada no país, é esperado que esse número aumente em 2020. Esse comportamento desumano para com os mais velhos não é exclusivo do Brasil e nem é uma novidade, de forma que vem sendo retradado há muito tempo por obras extrangeiras. Por exemplo, tem-se a série animada “Os Simpsons”, na qual, em um dos episódios, o pai de Homer perde os dois rins porque a personagem principal não quer parar para que o idoso possa utilizar o banheiro.

Em segunda análise, mesmo em ambientes seguros, há maiores riscos de pessoas com mais de 60 anos desenvolverem transtornos como depressão e ansiedade durante essa emergência sanitária. Conforme o Portal do Envelhecimento, composto por profissionais de referência no estudo da maturidade humana, nos últimos anos a 3ª idade conquistou mais independência e, ao ver tal ganho ser perdido de uma hora para a outra, tem demonstrado sinais dos disturbios mentais citados. Ademais, a infantilização a qual muitas vezes são submetidos por cuidadores despreparados ou por membros da prória família durante o auxílio oferecido nesse momento de crise, aumenta a sensação de perda de autonomia. A exemplo dessa situação constrangedora, tem-se o filme “Amor” (2012), em que um casal de idosos precisa lidar com uma enfermeira que infantiliza a protagonista acamada. Na obra, é possível identificar a impotência da protagonista frente àquela situação degradante.

Logo, para tornar os lares brasileiros mais seguros para os idosos, é necessários que o Estado se responsabilize efetivamente por eles, por meio da implementação de campanhas de acompanhamento do dia a dia dessas pessoas. Para isso, pode se inspirar em projetos como o “Paris em Camapanha”, que vale na Cidade Luz desde 2019,  e garante a cada cidadão com mais de 65 anos o acesso gratuito a um cuidador uma vez na semana. Desse modo, será possivel, além de garantir uma melhora na qualidade de vida, verificar se o lar em que o idoso reside não lhe oferece riscos.