Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 13/04/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5º, a igualdade jurídica sem distinção de qualquer natureza, o que garante o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se concretizado efetivamente à medida que se verifica os graves impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena. Nesse sentido, o problema persiste devido à falta de convivência mútua e à disseminação de notícias falsas dificultando, deste modo, a universalização desse essencial direito social.

Em uma primeira análise, deve-se salientar que o isolamento é um protocolo fundamental em prol do combate à pandemia de Covid-19. No entanto, sua prática implica diversos entraves a toda população brasileira, tal qual prejudica, principalmente, os cidadãos mais longevos, os quais sofrem constantemente com a falta de interação social, isto é, solidão. De acordo com Aristóteles – filósofo grego – o homem é um animal naturalmente social, ou seja, um ser espontaneamente carente, que necessita constantemente dos outros de sua espécie. Acerca disso, é pertinente afirmar que o isolamento priva os idosos de uma necessidade intrínseca a eles, a qual é indispensável ao exercício mental, bem como psicológico, com o objetivo de lhes fortalecer a mente e, por conseguinte, melhorar sua qualidade de vida.

Em uma segunda análise, vale citar que a difusão de informações sensacionalistas, bem como falsas, afeta substancialmente a saúde mental das faixas etárias mais avançadas, o que contribui para o maior número de mortes. Segundo pesquisadores da Universidade de Chicago, o acesso constante a “fake news” aumenta o risco de morte em 14% entre os vetustos, além de corroborar maior ocorrência de doenças cardíacas e acidentes vasculares. Tal alarmante dado explicita que a disseminação de notícias falsas em larga escala reduz a resposta imunológica do organismo humano ao colocá-lo sob uma condição estressante. Dessa maneira, os idosos são submetidos a sucessivos quadros de alta ansiedade, os quais agravam ainda mais sua condição.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas a fim de solidificar políticas que visem o combate aos graves impactos na saúde mental dos idosos. Assim, o Ministério da Saúde e o Ministério dos Direitos Humanos, devem, por meio de verbas públicas, intervir na realização de campanhas midiático-digitais, com o intuito de informar aos cidadãos os perigos de informações falaciosas, e promover encontros interativos entre os anciões, intermediados por profissionais da saúde, com todos os cuidados necessários para evitar o alastramento do vírus. Deste modo, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.