Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 13/04/2021

No filme “O Lado Bom da Vida” é apresentado um cenário de sofrimento. O personagem Pat Solitano, interpretado por Bradley Cooper, após perder sua casa, emprego e casamento, enfrenta um grave quadro de depressão. Analogamente, nota-se, na atual situação que o mundo se encontra (pandemia), casos semelhantes ao do filme. O isolamento social gerou grandes mudanças no cotidiano das pessoas, sobretudo nos idosos, nos quais são particularmente mais vulneráveis aos efeitos prejudiciais da Covid-19, tanto fisicamente, quanto psicologicamente. Nesse sentido, convém analisarmos os principais impactos do isolamento social na saúde mental de idosos na quarentena.

Primeiramente, faz-se mister salientar que, a falta de interesse quanto à saúde mental dos idosos, é algo muito mais antigo. Nitidamente, como sustentado por Karl Marx, o capitalismo coloca o capital acima de qualquer coisa, dando menos prioridade, inclusive, às pessoas. Em um mundo com tal sistema econômico, a maior parte da massa é constituída de trabalhadores que sustentam a classe burguesa dominante, sendo totalmente descartáveis e tendo “prazo de validade”. Qualquer resquício de velhice torna o proletário inválido, por não conseguir mais produzir o mínimo necessário. Assim sendo, após chegar na velhice e não ser mais algo útil ao sistema, essas pessoas são simplesmente deixadas à margem da sociedade, muitas vezes, debilitadas psicologicamente.

Ademais, a saúde mental prejudicada proveniente de anos de descuido se agrava ainda mais em períodos difíceis, a exemplo da pandemia. Segundo o “site” Portal do Envelhecimento, considerando os idosos o maior grupo de risco, eles são diretamente prejudicados, porquanto, além da preocupação com a doença, ainda não podem sair de modo algum. Presumivelmente, isso piora quando é lembrado que, por conta do alto índice de doenças mentais nesta faixa etária, por anos esse grupo foi estimulado a sair de casa, frequentar grupos da terceira idade e aproveitar a vida, algo que, subitamente, foi mudado. A mudança é algo difícil para todos, em especial para uma população tão carente e desvalorizada quanto a dos idosos.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para que isso não se agrave ainda mais. É de extrema importância que o Ministério da Saúde aumente o apoio e atendimento à sanidade da terceira idade, mediante maiores investimentos na área da saúde que rege os idosos. Outrossim, campanhas que falem sobre o assunto devem ser realizadas, de modo a tratar os já afetados e educar a população acerca do descaso sofrido durante anos, resultando, assim, na diminuição de casos futuros e na melhora dos enfermos atuais. Dessa forma, torna-se possível alcançar uma sociedade integrada.