Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 05/06/2021

Desde o início, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) começou a passar informações acerca do novo coronavírus, foi divulgado que o grupo de risco com maior chances de desenvolver complicações pela doença, e portanto o que deveria se isolar mais, era o dos idosos. Ao considerar essa percepção atual como dispositivo para fomentar a discussão sobre os impactos do isolamento social durante a quarentena na saúde mental dos idosos, pode-se afirmar que esse grupo tem maiores chances de se sentirem mais excluídos do convívio social. Nesse sentido, não há dúvida de que é preciso entender o porquê dessa preocupação, bem como analisar as melhores formas de conseguir evitar o agravamento da problemática.

A par dessa ideia, pode-se inferir que os idosos, no geral, não convivem e/ou não têm contato, com uma ampla rede de pessoas além dos familiares. Isso ocorre porque, muitos deles já são aposentandos, não estudam mais e, inclusive, não possui afinidade com os meios de comunicação atuais, no caso da internet. Nesse contexto, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Sesc São Paulo e pela Fundação Perseu Abramo, apenas 19% dos maiores de 60 anos fazem uso efetivo das ferramentas disponibilizadas na internet. Dessa forma, esses cidadãos são excluídos do convívio social mais utilizado durante o período de quarentena, portanto, têm maiores chances de desenvolverem depressão, ansiedade e estresse.

Ainda nessa linha de raciocínio, outra questão determinante é a forma encontrada para evitar o agravamento desses transtornos. Nesse cenário, segundo o médico Dráuzio Varella é importante que os parentes mantenham contato mais vezes por semana, por meio de ligações agradáveis, evitando-se falar na situação da pandemia. No caso das pessoas que convivem com alguém desse grupo, é de extrema importancia criar momentos descontraídos, seja jogando cartas, assistindo a um filme, ou até mesmo preparando um prato culinário especial. É preciso, então, esclarecer quais as melhores formas de mostrar carinho e proteção aos idosos, tanto no físico quanto no sentido mental.

Portanto, tendo em vista os aspectos observados, saliente-se que algumas medidas primordiais são necessárias. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da mídia, explicar quais os melhores comportamentos que os familiares podem aderir, com o objetivo de passar a sensação de acolhimento aos mais idosos. Ademais, é dever dos municípios ofertarem ajuda psicológica e psiquiátrica aos idosos que moras sozinhos, por meio de teleconsulta ou até mesmo atendimento doméstico, respeitando todos os protocolos de segurança, com o intuito de evitar ou até tratar mesmo dos possíveis danos à saúde mental .