Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 07/06/2021
De acordo com a frase dita pela escritora Mary Shelley, autora do romance “Frankenstein”, “Não há nada mais doloroso para a mente humana do que uma grande e repentina mudança”. Semelhante ao que ocorre na sociedade brasileira, o início da quarentena em virtude da pandemia do coronavírus foi uma grande e repentina mudança. Isso causou e agravou diversos problemas psicológicos, principalmente na população idosa, prejudicando sua qualidade de vida, isso se deve em razão da natureza social do ser humano e da falta de atenciosidade da própria família aos seus idosos.
Mormente, cabe pontuar acerda da saúde mental da terceira idade que está em risco devido ao isolamento social, tendo em vista que é fundamental para o bem-estar e o desenvolvimento psíquico a relação com outros indivíduos, e em consequência da pandemia, essa prática é inibida para evitar a disseminação do vírus. Para a sociologia, o ser humano é essencialmente um ser social, isso porque as pessoas têm necessidade de manter contato com outras para se desenvolverem e evoluírem, ou seja, é natural a tendência a constituir uma família, comunidade ou grupo. Nesse sentido, o distanciamento social imposto, apesar de evitar o avanço do coronavírus, danifica a integridade mental, especialmente a dos idosos, pois, são considerados grupo de risco, e devem permanecer em casa até que não exista mais perigos.
Outrossim, a escassez de atenção da família ao idoso é outro fator preponderante que contribui para o surgimento de doenças psicológicas, uma vez que, por possuir uma idade avançada e o corpo velho, precisará de ajuda para a realização de atividades básicas, não só isso como também precisará de companhia durante todo o período de distanciamento, já que não pode sair de casa e socializar. Segundo a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o número de casos de ansiedade e estresse aumentaram em 80%, essa ocorrência tem justificativa no medo da população pertencente ao grupo de risco de contrair o vírus e também no estresse que é ficar em casa sem fazer nada e não ver ninguém por um longo período. Dessa forma, a família não atendendo às necessidades mínimas do idoso e o mantendo em sua residência sem nenhuma distração durante esse período, prejudica sua saúde mental e qualidade de vida.
Observa-se, portanto, os impactos do fenômeno do isolamento social imposto pela pandemia, trazendo riscos tanto à integridade física quanto a mental. Nesse viés, cabe ao SUS disponibilizar reuniões com psicólogos, por meio de plataformas online, para amenizar os impactos psíquicos, além disso, é imperativo que a escola conscientize as famílias e incentive elas a cuidar dos seus idosos, por meio de empresas midiáticas, para que assim possam viver com qualidade durante a pandemia.