Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 08/06/2021

Em uma alcateia, os três primeiros lobos são os mais velhos e ditam o ritmo do grupo. Nesse viés, percebe-se através do comportamento animal, a importância do respeito aos que possuem mais experiência e tempo de vida. Nesse sentido, ao analisar o impacto do isolamento na saúde dos idosos durante a quarentena, vê- se uma sociedade desumana e negligenciadora. Essa realidade é fruto da falta de empatia por parte dos familiares e a forma velipendiada que a saúde mental desses é tratada.

Nessa perspectiva, é imperioso destacar que essa problemática é fruto do descaso familiar com os membros mais velhos. Para entender a lógica, pode-se mencionar a filósofa Simone de Beauvior: retrata, em sua obra “A velhice”, que as sociedades modernas promovem uma invisibilidade social do idoso. Seguindo esse pensamento, famílias andam cada vez mais esquecendo esses membros tão sensíveis e importantes e colocando-os em segundo plano, ignorando o estado emocional que se encontram e deixando no esquecimento todas as possibilidades de mostrar presença na vida desses como, telefonar ou usar os recursos de mensagens disponíveis para distraí-los. Assim, se sentindo mais sozinhos, esquecidos e dispensáveis podendo agravar mais áreas da saúde e não somente a mental.

Paralelo a isso, vale também ressaltar o menosprezo do estar emocional desses minoritários -e em geral- e sua intrínseca relação com o impacto do isolamento social na saúde dos mesmos. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo da família diante dessas situações, onde deixam para lá por estarem sem tempo para “frescuras” e não ter paciência para dar atenção e estar presente. Por exemplo, no filme “Lilo e Stitch” o personagem extraterrestre, Stitch, tem a fala genuína “Ohana quer dizer família, e família quer dizer nunca abandonar”. Paralelamente, famílias a fora decidem colocar seus familiares em centros de cuidados com idosos para que não tenham que se preocupar, ou tê-los como peso, indo contra todo o conceito de família do personagem e os abandonando, na maioria.

Verifica-se, então, a necessidade de medidas para atenuar essa problemática. Sendo assim, para a diminuição dos problemas causados, pelo isolamento social, nos idosos. Urge que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em conjunto aos profissionais da psicologia clínica promova, por meio de investimentos do governo, programas como campanhas de conscientização que informe todas as pessoas da importância do cuidado da saúde mental dos mais velhos e da presença no dia a dia deles. Esse programa incluirá também, panfletos com instruções de como cuidar do estado emocional do idoso. Somente assim, será possível que o impacto do isolamento seja menor e menos prejudicial.