Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 19/06/2021

Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade de York divulgou um estudo indicando que a solidão e o isolamento social podem aumentar o risco de doenças cardíacas em 29% e o de acidentes vasculares em até 32%. Diante das medidas necessárias para conter a pandemia da Covid-19, a humanidade está em constante isolamento social, e os idosos são o foco principal das medidas protetivas.

Decorrente disso, no caso dos idosos, tanto o aumento da pressão e dos níveis de colesterol quanto a diminuição na capacidade cognitiva e o agravamento de quadros depressivos podem ser potencializados pela sensação de isolamento e solidão. No que se refere à depressão, o isolamento social pode ser tanto um sintoma quanto um fator desencadeador da doença. Isso vale especialmente para os idosos que estão acostumados a uma vida social mais intensa, como atividades em grupo e passeios ao ar livre, por exemplo.

Segundo dados do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de estresse deve aumentar em todo o mundo em função do isolamento domiciliar e da disseminação de notícias imprecisas ou falsas. Dessa forma, a entidade recomenda uma atenção especial aos idosos com condições de saúde pré-existentes, que podem se tornar mais ansiosas, agitadas e retraídas durante o surto. Mas hoje, diante das medidas necessárias para conter a pandemia da Covid-19, o isolamento social obrigatório deve entrar também nessa lista. Muitas operadoras já investem em espaços de lazer e de interação social, incluindo passeios e atividades em grupo, como ginástica, dança e trabalhos manuais. O problema é que agora todas essas atividades devem ser interrompidas durante o período de quarentena.

Por isso, é fundamental que as operadoras de saúde contem com uma estrutura de telemonitoramento capaz de acompanhar à distância o impacto do isolamento nessas populações. O contato telefônico periódico deve incluir não apenas protocolos para checar a presença dos sintomas da Covid-19, mas também para acompanhar o quadro de saúde mental do idoso. Portanto, além de monitorar diretamente os idosos, as operadoras de saúde devem manter contato com cuidadores e familiares orientando para que fiquem atentos aos sinais de tristeza aguda nos idosos com quem convivem.