Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 29/07/2021
De 1994, em um dos episódios da série “Emergency Room”, a enfermeira Carol, durante seu período de antendimento pré-hospitalar, atende uma senhora que, por ter sido abandonada por sua família, sofre de grave depressão e ansiedade. De maneira análaga, hodiernamente, diversos idosos passam por situações similares no panorâma de isolamento social devido à pandemia do coronavírus. Nesse sentido, em razão de uma má influência midiática, a qual pode originar sérias patologias, emerge um problema complexo — o qual precisa ser reverido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que a falta de informação para lidar com a pandemia é um grave fator à queda da qualidade de vida do povo. À vista disso, consoante o jornalista Carlos Heitor Cony, a internet é poluidora, não no sentido ecológico — mas no espiritual. Sendo assim, ao se observar o ambiente virtual, percebe-se a presença de inúmeras notícias falsas, como as que negam o potencial de fatalidade do vírus, o que, para os idosos, os quais não têm um grande discernimento cibernético, pode levá-los a romper a quarentena, o que os tornarão mais vulneráveis ao vírus. Com isso, é nítido o alto nível de toxicidade da web e as graves consquências que ela pode levar aos longevos.
Nesse contexto, além das fake news, a falta de acolhimento é um grave fator para o aumento dos índices de patologias psíquicas. Sob essa ótica, conforme o princípio da responsabilidade social de Hans Jonas, ser ético é fundamentar suas ações com base no coletivo e nas outras gerações. Nessa perspectiva, ao se analisar a sociedade no período de pandemia, nota-se que tal postulado não é muito usado, pois não existem medidas que levem conforto e proteção aos idosos, já que, segundo dados da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, os casos de depressão aumentaram em 3,8% desde março de 2020. Assim, um possível caminho para enfrentar o coronavírus de uma maneira mais saudável e melhorar a qualidade de vida dos mais velhos é usar o raciocínio do filósofo: traçar planos éticos.
Infere-se, portanto, que a mídia, a qual tem papel fundamental na organização, legitimação e curadoria das informações, com o Ministério da Saúde, deve criar um projeto científico, por intermédio das redes sociais, como o YouTube. Diante do pressuposto, esse evento contará com a participação de médicos, psicólogos e educadores físicos, com o intuito de levar conhecimento acerca das precauções com o coronavírus à população, em especial, aos longevos. Além disso, é essencial que tal ação leve esclarecimentos acerca da importância da prática de atividade física e do contato com os familiares mesmo que virtualmente. Dessa forma, espera-se frear os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena e tornar os casos parecidos com o da paciente da enfermeira Carol cada vez mais raros.