Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 01/09/2021

Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, o escritor, José Saramago, expõe ao leitor o fenômeno da “Cegueira Moral”,  denunciando a alienação da sociedade frente às diversas realidades sociais, o qual é fomentado, sobretudo, pela restrição do acesso à informação. Fora da ficção, tal fenômeno é facilmente evidenciado no hodierno ambiente brasileiro, principalmente, nos impactos do isolamento social na saúde dos idosos durante a quarentena. Esse cenário nefasto, ocorre não somente em razão da não aplicação dos direitos, como também devido à insuficiente formação educacional. Desse modo, faz-se mister a análise conjuntural com o intuito de mitigar os entraves à consolidação dos direitos civis.

Primordialmente, é necessário salientar a forma com que parte do Estado costuma lidar com a saúde mental dos mais velhos no Brasil. Sobre isto, é louvável retomar a obra “Brasil: Uma Biografia”, das historiadoras, Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, que afirma que a legislação brasileira é ineficaz, pois, apesar de aparentar completa na teoria, muito do que nela se propôe, não se é concretizado. Prova disso, é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante entre tantos direitos, a saúde. Devido à inoperância governamental, pouco se é veiculado acerca da importância de valorização dos cuidados mentais de anciãos, além da pequena oferta de tratamento relacionados psicologia em hospitais, ainda mais preciso, durante o periodo de isolamento em quarentena.  Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de combater o agravamento da problemática.

Outrossim, é imperativo pontuar a educação, nos moldes predominantes do Brasil, como outro fator que auxilia na manuntenção da solitude dos macróbios. Para entender tal apontamento, é justo lembrar o texto “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ele aponta o papel da escola em engendrar não somente o ensino técnico-científico, como também habilidades socio-emocionais, tais quais respeito e empatia. Sob essa ótica, uma vez que a maioria das instituições de ensino do país são conteudistas, não contribuem na empatização com a saúde mental dos idosos, logo não formam individuos da forma a qual Freire idealizou.

Portanto, urge a interferência do Estado, a fim de contornar os efeitos do isolamento social na saúde psíquica dos idosos. Com isso, compete ao Ministério da Saúde -ramo do Estado responsável pela saúde pública- a ampliação e manutenção permanente dos espaços de tratamento a saúde mental dos idosos, por meio da destinação de maior parcela dos recursos públicos à hospitais e clínicas psiquiátricas, além do adequam e tô dos espaços à realidade pandemia, garantindo-lhes pujança mental. Assim tornar-se-á possível a efetivação dos valores elencados na Carta Magna.