Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 24/08/2021

No célebre filme “Up - Altas Aventuras”, da Pixar, o protagonista Carl, após a morte de sua amada esposa, isola-se do mundo e torna-se um velho ranzinza e antipático, mudando apenas depois de conhecer um jovem escoteiro que o faz mudar a forma como encara a vida. Fora da ficção, no contexto atual, o isolamento de toda a população é imprescindível para a superação da pandemia do COVID-19, porém esse afeta diretamente o bem-estar mental principalmente dos idosos. Isso ocorre, sobretudo, devido à necessidade de interação social e seu difícil acesso, como também pela ânsia por se manter informado acerca da situação. Desse modo, é visível que medidas precisam ser tomadas a fim de amenizar as consequências dessa problemática.

Vale destacar, a priori, que pessoas com mais idade possuem uma dificuldade maior em relação ao manuseio e compreensão do funcionamento das novas tecnologias. Com isso, sua necessidade de socialização é prejudicada, assim como sua saúde mental. Nessa lógica, é válido apresentar a famosa citação de Aristóteles, “O homem é um animal social”, que apenas reforça a primordialidade das relações sociais. Consequentemente, sem a cota de contato social necessária, o idoso tende a criar um sentimento de abandono e incompetência, associado à inabilidade com a tecnologia. Dessa forma, os indivíduos em questão encontram-se mais propensos para o desenvolvimento de patologias mentais.

Ademais, cabe ressaltar que a sede por notícias sobre a pandemia não é um hábito saudável, uma vez que promove uma certa dependência da busca por novos dados. Sob essa ótica, destaca-se o termo “infodemia”, que refere-se ao excesso de informação - correta ou não - sobre determinado tema, podendo ser prejudicial ao bem-estar mental. Assim, esse abuso pode levar o idoso a manifestar doenças mentais como a ansiedade e depressão, pelo medo de ficar por fora dos acontecimentos relacionados ao vírus. Além disso, essa proporção elevada de ânsia por informação facilita ainda mais a propagação de fake news e aumenta a ignorância da população. Sendo assim, é notório que atitudes sejam efetivadas para que haja uma diminuição do problema.

Portanto, é indispensável que mudanças ocorram com o objetivo de mitigar a situação. Logo, a mídia - como principal difusora de informações - deve, por meio de propagandas e programas de rádio e televisão,  instigar a população mais jovem a ensinar e ajudar os seu parentes e amigos com mais idade em relação ao recursos tecnológicos, com o intuito de aproximá-los da tecnologia e proporcionar a possibilidade do contato a distância mais frequente. Paralelamente, deve salientar a importância do uso moderado e consciente da internet para obtenção de informações e da checagem dos fatos, visando diminuir a necessidade de atualizações, tal como a divulgação de notícias falsas.