Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 24/08/2021

Conhecido como “Pai da Medicina”, o médico grego Hipócrates afirmou: “O homem saudável é aquele que possui um estado mental e físico em perfeito equilíbrio”. Nessa perspectiva, torna-se evidente a importância do fator psicológico na manutenção da homeostase — estado de equilíbrio do corpo —, e, por conseguinte, na qualidade de vida e longevidade humana. Observa-se, entretanto, a negligência estatal, no Brasil, relacionada à saúde mental da população idosa, principalmente no contexto hodierno de isolamento social, de forma a agravar a preexistente situação de vulnerabilidade vivenciada por esse grupo. Urge, assim, a análise da conjuntura, a fim de propor uma solução viável.

É tácito, diante desse cenário, inferir a responsabilidade estatal na resolução da problemática. Sob esse ângulo, o filósofo Friedrich Hegel definiu o desígnio da máquina pública como sendo a garantia do bem-estar social , fato notório em sua declaração: “O Estado deve proteger seus filhos”. Nesse sentido, percebe-se a discrepância entre o teorizado por Hegel e a realidade brasileira, haja vista a postura de indiferença, por parte do Estado, frente ao quadro de instabilidade psicológica proporcionada pela quarentena nos idosos, os quais, em virtude de integrarem o “grupo de risco” relativo à Covid-19 e de não fazerem parte, em sua maioria, da população economicamente ativa, são os principais alvos do isolamento social. Dessa maneira, em meio às limitações e dificuldades impostas pela pandemia — como a escassez de contato pessoal com os familiares —, tal grupo encontra-se desprovido do amparo estatal, possibilitando o desenvolvimento de quadros psicológicos de ansiedade e/ou depressão.

Outrossim, cabe pontuar a relevância do tratamento recebido pelo idoso no país como um fator que contribui para a perpetuação do problema. Sob essa ótica, a distopia criada pelo escritor Aldous Huxley em seu livro “Admirável Mundo Novo”, no qual as pessoas em idade avançada são descartadas em função de serem consideradas como indivíduos não produtivos — o que caracteriza-se como um “defeito imperdoável” numa sociedade fundamentada na produtividade e no lucro —, assemelha-se ao quadro nacional, uma vez que esse revela o abandono dos idosos, por parte de parentes, em asilos e lares os quais, por vezes, não satisfazem as necessidades físicas e emocionais do ser humano.

Depreende-se, portanto, a importância de medidas mitigantes para o óbice. Logo, o Ministério da Saúde deve promover o cuidado com a saúde mental da população idosa no país, por meio de investimentos em projetos que componham equipes de psicólogos para atendimento a domicílo a esse grupo, seguindo os protocolos necessários de higienização e distanciamento, no intuito de minimizar os efeitos da quarentena no psicológico dos pacientes. Isto feito, o Brasil poderá, num futuro próximo, ser um exemplo no tratamento dos idosos no país, fornecendo uma maior qualidade de vida a eles.