Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 20/08/2021

No documentário norte-americano “Distanciamento social”, são retratados os impactos da quarentena no cotidiano dos indivíduos. Assim como na obra cinematográfica, observa-se que, na sociedade contemporânea, devido à necessidade de isolamento social, há um aumento de doenças psicológicas, principalmente entre os idosos. Nesse contexto, elucida-se a importância de maior atenção à saúde física e mental da terceira idade.

A princípio, é importante destacar que o isolamento social é catalisador de doenças psicológicas no mundo contemporâneo. Isso se deve pois há uma maior incidência de sentimentos de solidão e abandono, haja vista que a quarentena pressupõe a diminuição do convívio social e a limitação da circulação nos espaços públicos, o que pode potencializar o surgimento de quadros depressivos. Além disso, a mudança na rotina dos idosos agrava situações de estresse e ansiedade, visto que reduz sua independência e  autonomia, além de provocar perdas na capacidade cognitiva, como a dificuldade de concentração e a falta de memória. Desse modo, é indubitável a necessidade de maior enfoque aos aspectos psíquicos da terceira idade.

Ademais, sob a óptica do filósofo Stuart Hall, a estereotipagem é parte da manutenção da ordem social e simbólica. Analisando o pensamento do intelectual e relacionando-o à realidade do tratamento dado à saúde mental, observa-se na terceira geração uma herança cultural em que as doenças psicológicas são concatenadas a uma visão estereotipada, o que revela a carência informacional presente na sociedade contemporânea. Outrossim, a consequência direta da persistência desse discurso pode ser vista no receio dos idosos em procurar ajuda, o que dificulta o acesso ao cuidado e ao bem-estar mental do indivíduo. Dessa forma, nota-se a necessidade de ações interventivas capazes de minimizar os efeitos causados pela problemática.

Portanto, são essencias medidas operantes para a mitigação dos impactos associados ao isolamento social. Para isso, compete ao Estado investir em estruturas de telemonitoramento, disponibilizando atendimento preventivo com profissionais capacitados da área, como psicólogos e psiquiatras, através do contato telefônico e por videochamadas. Isso deve ser feito por meio do engajamento familiar-importante rede de apoio-, com o fito de potencializar o acompanhamento do quadro de saúde mental do idoso. Ademais, é dever da mídia -instrumento de ampla abrangência- descontruir a visão estereotipada que ainda persiste na sociedade, através da divulgação de campanhas e debates acerca da problemática, a fim de mitigar a carência informacional na realidade contemporânea. Espera-se, com essas medidas, que os impactos na saúde mental dos idosos sejam paulatinamente mitigados.