Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 23/08/2021
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme rocha morro acima eternamente. Contudo, todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo e era vencido pela exaustão, fazendo com que a pedra retorna-se à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos idosos para que o isolamento social, causado pelo cenário pandemico, não impacte a saúde mental. Sendo assim, torna-se necessária a discurssão sobre a garantia dos direitos básicos aos idosos e suas relações interpessoais.
À principio, é imprescindível a importância do distanciamento e isolamento social no cenário da pandemia do novo coronavírus no Brasil, principalmente para os idosos, que fazem parte do grupo de risco. No entanto, é notório os impactos negativos na perspectiva social, podendo ser considerado um fator favorável ao aumento da assiduidade das psicopatologias. Segundo a Constituição Federal, presente no Artigo 230, é dever do Estado, da família e da sociedade amparar e garantir o bem-estar físico, mental e social do idoso. Nesse sentido, é evidente a dificuldade, semelhante ao mito citado anteriormente, da garantia desses direitos durante o período de isolamento social.
Outrossim, com o advento da globalização e do desenvolvimento da tecnologia houve mudanças significativas no meio social, alterações as quais os idosos não estavam acostumados à vivenciar. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, neste mundo globalizado, as relações se tornaram cada vez mais líquidas, ou seja, os laços humanos se tornaram mais frágeis, impedindo a construção de um relacionamento mais concreto/profundo. Ademais, se torna necessária a valorização do aprofundamento das relações interpessoais com pessoas de idade avançada, para que não se sintam solitários, ansiosos ou depressivos com o isolamento social.
Com base no que foi supracitado, é necessária a criação de políticas públicas que auxiliem na garantia da saúde mental de pessoas com idade avançada. Portanto, cabe ao Estado em parceria com o Ministério da Saúde proporcionar, por meio de encontros periódicos e virtuais, a socialização do idoso durante a quarentena, assim, o voluntário estaria responsável também por verificar se todos os direitos para a promoção do bem-estar emocional (alimentação, moradia, saúde física), estariam garantidos. Destarte, a população idosa passaria por esse período pandemico sem que a saúde mental seja afetada, paralelamente ao mito, Sísifo conseguiria levar a enorme pedra ao topo do rochedo.